Após erro nos testes, cientistas questionam eficácia da vacina de Oxford

Ministério da Saúde tem um acordo com laboratório para adquirir as doses do imunizante

Foto: JOHN CAIRNS / UNIVERSITY OF OXFORD / AFP

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Saúde

Após anuncio de eficácia de mais de 90% da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford, especialistas questionam os dados apresentados.

 

 

Na segunda-feira 23, o executivo responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da AstraZeneca, Menelas Pangalos, revelou à agência Reuters que a empresa não tinha a intenção de aplicar metade da dose nos voluntários.

Os pesquisadores que lideraram os testes deveriam ter dado uma dose completa aos participantes, mas um erro de cálculo da dosagem fez com que alguns recebessem apenas metade.  O primeiro anúncio da empresa não mencionou a natureza acidental da descoberta.

Para cientistas, o erro e uma série de outras irregularidades e omissões diminuem a credibilidade dos resultados.

“A notícia de 90% de eficácia era boa mas queriamos ver os dados. Especulamos se haviam usado meia dose para controlar a imunidade ao vetor, o que parecia fazer sentido mas alertamos que era um número pequeno de voluntários. Ainda tentando manter o otimismo, imaginamos que logo a empresa iria esclarecer. Infelizmente nao. e os dados que apareceram nao sao animadores. A meia dose foi um erro, e pior, foi dada apenas para voluntários jovens. A empresa tentou encobrir o fato. Falta de transparência em vacinas, neste momento, pode trazer consequências inimagináveis. O trabalho que teremos para reconstruir a confiança das pessoas nas empresas e na ciência será desafiador”, escreveu a microbiologista Natalia Pasternak em uma rede social.

“Com todo esse jogo político e de especulação em bolsa de valores, quem mais sofre é a população e a confiança nos processos científicos. O mais triste é que uma vacina com 62% de eficácia seria perfeitamente aceitável. Aguardamos mais esclarecimentos da Astrazeneca e Oxford. E que bom que temos outras vacinas feitas por empresas mais transparentes. Fica agora a dúvida de como isso afeta o Brasil e nosso acordo bilateral. Não há como recomendar uso emergencial nesta situação”, acrescentou.

Representantes da empresa se reuniram na terça-feira 24 com integrantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para discutir o andamento dos estudos clínicos, mas até o momento não foi estipulado prazo para o pedido de registro do imunizante no órgão regulador brasileiro.

“A Anvisa realizou reunião com a empresa AstraZeneca com o objetivo de discutir informações sobre o andamento dos estudos clínicos da Vacina de Oxford”, disse a Anvisa em comunicado.

“Nessa reunião, foram discutidos os dados obtidos até o momento. A empresa tem submetido documentos para avaliação do registro da vacina por meio do procedimento de submissão contínua e não definiu prazo para submissão do pedido de registro junto à Anvisa”, completou o órgão.

O Ministério da Saúde tem um acordo com a farmacêutica para adquirir as doses da vacina e para a produção dela no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

(Com informações do Estadão Conteúdo)

 

 

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