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Crédito: Icaro Gama.

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Vanguarda baiana

Do Recôncavo à Chapada, projetos de energia renovável colocam o estado como referência nacional na produção do combustível do futuro

Por StudioCarta

Sob o sol do Recôncavo, onde a história do Brasil deixou marcas profundas, o presente aponta para novas transformações. A mesma região que foi cenário de lutas decisivas pela liberdade agora se conecta a um movimento que projeta a Bahia no mapa da transição energética.

Foi em Cachoeira, em junho de 1822, que moradores se insurgiram contra Portugal e abriram caminho para a Independência da Bahia, consolidada no 2 de Julho de 1823, nas batalhas de Pirajá e da Ilha de Itaparica. Hoje, na mesma Cachoeira, se dá o início do plantio da macaúba em pastagens degradadas. São 200 hectares em cultivo, que devem alcançar 1.500, em breve.

Esse movimento é conduzido pela Acelen Renováveis, que escolheu Bahia e Minas Gerais para iniciar um projeto pioneiro de produção de combustíveis renováveis. A escolha de Cachoeira passou por um rigoroso processo de diligências e traz também um simbolismo: a cidade que um dia se ergueu pela independência agora se conecta a um novo ciclo de desenvolvimento econômico ligado à descarbonização.

A macaúba, planta nativa brasileira que pode ser até dez vezes mais produtiva por hectare do que a soja, começa a ser cultivada em larga escala. O fruto, antes restrito a pesquisas e experiências pontuais, agora se integra às culturas tradicionais da agricultura regional, em parceria com pequenos produtores. Essa integração, que oferece renda extra ao longo do cultivo e conta com a compra garantida pela Acelen Renováveis, começou com a assinatura da parceria firmada com a primeira família produtora em Montes Claros.

Ao longo dos dez anos de projeto, os números projetados reforçam a escala dessa transformação: 180 mil hectares cultivados, dos quais 36 mil em parceria com agricultores familiares; até 85 mil empregos gerados, direta e indiretamente; US$ 40 bilhões injetados na economia brasileira; e um potencial de captura de 60 milhões de toneladas de CO₂. Projeções que revelam como tradição e inovação podem caminhar juntas.

No sertão, onde ocorreu a Guerra de Canudos (1896–1897), o desafio era social e religioso. Hoje, é climático e econômico. A diversidade geográfica — da Mata Atlântica aos manguezais, passando pela Caatinga e pela Chapada — cria condições perfeitas para projetos de energia limpa, que conseguem unir escala industrial e impacto comunitário.

E se no passado a economia da Bahia foi marcada pela cana-de-açúcar e pelo cacau, agora o estado projeta um ciclo em torno da macaúba e dos combustíveis de baixo carbono. Entre o peso da história e as urgências do presente, a região se afirma como referência em soluções para o futuro energético.

Credito da foto: Icaro Gama.

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