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Quando a indústria volta a pulsar
Com R$ 400 milhões em investimentos e até 9 mil empregos projetados, o novo Polo Automotivo marca a retomada industrial e recoloca o Ceará no mapa da produção de ponta
A manhã em Horizonte começou com um som que não se ouvia há anos, o do ritmo preciso das linhas de montagem voltando a operar, como se cada engrenagem acionada reorganizasse o que parecia ter sido interrompido. No terreno que já abrigou a antiga fábrica da Troller, um espaço marcado pelo silêncio desde 2021, o Ceará inaugurou seu novo Polo Automotivo do Estado, um projeto que irá movimentar R$ 400 milhões em investimentos e abrir caminho para a geração de 9 mil empregos diretos e indiretos.
A retomada industrial não é um simples anúncio, mas um gesto de reconstrução. O que era incerteza agora ganhou forma com as esteiras que avançam, câmeras de teste, EPIs erguidos e trabalhadores retomando funções que, para muitos, significam recompor uma rotina e reorganizar o futuro. Nesse ponto, o desenvolvimento deixa de ser promessa abstrata de campanha e entra na vida dos trabalhadores.
Primeira planta multimarcas do Brasil
A Planta Automotiva do Ceará (PACE), operada pelo Grupo Comexport, nasce como a primeira multimarcas do país. O modelo rompe com o padrão tradicional do setor e permite que diferentes montadoras compartilhem o mesmo parque industrial – uma prática comum em centros automotivos de países como México, Áustria e África do Sul, mas inédito no Brasil.
Esse tipo de estrutura amplia a capacidade de adaptação ao mercado, diminui riscos e projeta o Ceará no circuito da cadeia automotiva nacional. Não por acaso, o primeiro modelo a entrar na linha de produção é o Chevrolet Spark EUV, veículo elétrico que chegou ao Estado em kits parcialmente montados e começa sua jornada brasileira dentro da PACE. A GM já confirmou também um segundo modelo, a Captiva elétrica, reforçando a vocação da planta para a mobilidade limpa.
A meta inicial da PACE é iniciar com 35% de componentes nacionais e elevar esse índice ao longo dos próximos anos, fortalecendo fornecedores locais e ampliando o ecossistema produtivo. A lógica é ir além de ser mais uma montadora de carros, mas de consolidar uma indústria que dialoga com engenharia, logística, tecnologia e inovação.
Eixo do desenvolvimento
O impacto econômico do Polo já aparece nos números, mas se expressa com mais força nas histórias de quem atravessou períodos de incerteza após o fechamento da antiga Troller. Trabalhadores que foram desligados há dois ou três anos agora retornam ao chão de fábrica. Jovens recém-saídos do ensino médio encontram vaga numa indústria estruturada com possibilidade de carreira e famílias voltam a planejar o futuro com maior segurança e previsibilidade.
É essa dimensão social que confere densidade ao investimento dos R$ 400 milhões, o de recolocar trabalhadores no processo produtivo. O Polo também deve impulsionar novas frentes de qualificação profissional, aproximando escolas técnicas, universidades e centros de pesquisa do cotidiano industrial de Horizonte e municípios vizinhos.
Ceará no mapa da indústria brasileira
A presença da GM, aliada à operação multimarcas e ao caráter elétrico dos veículos produzidos, insere o Ceará na nova etapa da política industrial brasileira. A mobilidade elétrica tornou-se vetor estratégico de reindustrialização. E o Ceará, com sua matriz energética renovável, localização logística privilegiada e ambiente de negócios estável, vai mostrar ao país todo esse potencial.
A inauguração do PACE chega no momento em que a indústria automobilística brasileira busca recuperar ritmo após mais de uma década de retração. Desta forma, abrir uma fábrica que combina inovação, eletrificação e diversificação produtiva é mais do que um sinal de otimismo, mas uma decisão política e econômica com visão de longo prazo.
Um marco que reorganiza o Horizonte
Ao encerrar a cerimônia de inauguração, o governador cearense, Elmano Freitas, lembrou que o Polo não nasce isolado, mas se integra aos esforços mais amplos de diversificação econômica, atração de investimentos e formação de mão de obra qualificada, sendo parte de um projeto que entende que desenvolvimento exige articulação com infraestrutura, logística, educação e segurança jurídica.
O som das máquinas, portanto, não simboliza apenas a produção de carros elétricos. Ele marca a reentrada do Ceará na agenda industrial contemporânea e competitiva, capaz de combinar tecnologia, emprego e futuro. Se a antiga fábrica viu seus motores silenciarem, o novo Polo devolve ao terreno sua função original, a de gerar movimento.
E é justamente no movimento – das esteiras, das pessoas, da economia – que o Ceará reencontra a vocação que nunca deixou de existir, apenas aguardava o momento certo para voltar a operar. Hoje, esse momento chegou.
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