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O tempo do cuidado
Escuta ativa, cuidado contínuo e presença do Estado: o PReVio cria oportunidades e previne violências, costurando redes de proteção nos territórios.
Nos territórios em que a pressa e a carência se cruzam diariamente, o improviso dita o ritmo nas comunidades e o cuidado se torna uma forma de resistência. Nas periferias, nos interiores, nas escolas e nos espaços de convivência, o Ceará está apostando na presença, no diálogo e no acolhimento para prevenir violências e construir uma cultura de paz e, por consequência, ampliar a segurança pública. A partir dessa aposta na escuta e na oportunidade surgiu o Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência — o PReVio, que reúne políticas públicas e atendimento direto para reconstruir trajetórias e preservar vidas desde 2022.
Por meio da integração entre políticas sociais e novas perspectivas, o programa atua onde a vulnerabilidade é mais visível e a presença do poder público é indispensável. São dez municípios cearenses que recebem, de forma articulada, 35 projetos voltados a jovens, mulheres e grupos historicamente marginalizados. Em todas as frentes, o objetivo é prevenir e reduzir a violência por meio do cuidado e da inclusão, fazendo do Estado um parceiro presente na reconstrução de vidas e na criação de novas oportunidades. O programa representa uma virada de paradigma ao priorizar a prevenção como caminho das políticas públicas, atuando antes que o conflito se consolide e reconstruindo laços comunitários com quem mais precisa de apoio.
O PReVio tem foco em quem mais precisa ser ouvido. Jovens fora da escola, mães adolescentes, mulheres vítimas de violência, pessoas negras, indígenas e LGBTI+ encontram no programa uma porta aberta para recomeçar a vida com mais autonomia e perspectiva. A metodologia parte da presença constante do Estado e da escuta ativa das comunidades, aproximando poder público e população para transformar assistência em pertencimento. O resultado é um novo tipo de política pública, movida pela empatia e voltada à prevenção como instrumento de transformação social.

Mulheres do programa Empodera participam de cerimônia de investimentos para capital semente com governador Elmano. Crédito: Divulgação/Governo do Ceará
Caminhos de autonomia
Projetos como o Virando o Jogo oferecem formação cidadã e oportunidades de geração de renda para jovens que haviam perdido o vínculo com a escola e o trabalho, abrindo espaço para que retomem seus planos e encontrem novas formas de viver com dignidade. Muitos participantes, depois de concluírem as oficinas, voltam a estudar, abrem pequenos negócios ou se tornam agentes de transformação em suas próprias comunidades. O Empodera, por sua vez, acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade com cursos de empreendedorismo, capital semente e acompanhamento psicossocial, oferecendo renda, independência e autoestima. Já o Projema estende esse cuidado a jovens mães e gestantes, garantindo apoio, enxoval e fortalecimento dos vínculos familiares, ajudando a romper o ciclo de exclusão e pobreza que atravessa gerações.
O Jovens Mediadores forma multiplicadores do diálogo em escolas e comunidades, criando redes que evitam conflitos antes que eles ganhem corpo. Cada mediador se torna um exemplo de que a palavra pode ser mais eficaz do que a punição, e que o diálogo, quando feito com paciência, é capaz de mudar a dinâmica de uma comunidade inteira. O Labjuv – Laboratório de Juventudes – amplia essa experiência ao incentivar a expressão artística e o protagonismo social, transformando talentos em novas perspectivas de vida e fazendo do território um espaço de criação, não de medo.
Entre as ações mais conhecidas está o Napaz, que atua em áreas vulneráveis de Fortaleza com oficinas culturais, esportivas e artísticas para crianças e jovens de 8 a 24 anos. O Napaz funciona como um centro de convivência onde o pertencimento se constrói na rotina, a escuta vira aprendizado e o futuro ganha contornos de esperança. Assim, a presença do Estado se percebe no cuidado diário, no diálogo constante e na proximidade com quem mais precisa ser ouvido.
Vínculos que preservam vidas
Os efeitos do PReVio se refletem em jovens que voltam a estudar, mulheres que empreendem e comunidades que voltam a confiar. Cada avanço revela uma política pública construída sobre vínculos reais e presença constante do Estado. Isso se materializa também em ações como a Unidade Móvel LGBTI+, que leva atendimento jurídico, psicológico e social itinerante a quem vive a exclusão; o Novas Trilhas, que acompanha adolescentes em fase pós-medida socioeducativa, ajudando-os a reconstruir suas trajetórias; e as Salas Lilás, instaladas em delegacias, oferecendo acolhimento humanizado a mulheres vítimas de violência. Cada projeto, a seu modo, compõe uma rede que escuta, orienta e protege — e que, unida, forma o tecido social necessário para que os territórios vulneráveis se tornem territórios de paz.
A presença do Estado tornou-se rotina, e o programa ampliou o acesso a serviços essenciais, capacitações, redes de apoio e fortalecendo vínculos comunitários. A partir dessa integração, surgiram novas perspectivas de vida, autonomia financeira e reconciliação com o próprio território. Nos projetos com repasses financeiros, como Virando o Jogo, Empodera, Jovens Mediadores e Labjuv, os cidadãos recebem bolsas de incentivo financeiro, participando de oficinas que desenvolvem competências em arte, cultura, esportes e empreendedorismo. Essa combinação de incentivo e aprendizado cria um ciclo virtuoso em que o conhecimento gera autonomia, a autonomia produz renda e a renda devolve dignidade.
Ao fortalecer o cuidado, o Ceará muda a forma de enxergar a segurança pública e passa a agir antes que a violência aconteça. O PReVio cria ambientes de confiança, onde o diálogo e o apoio social ocupam o lugar do conflito. A prevenção é o novo paradigma, e o cuidado, sua principal ferramenta.
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