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Crédito: Felipe Castellari

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Da terra à indústria aérea

Com investimentos robustos, base científica e impacto social, a Acelen Renováveis avança na produção de SAF e diesel renovável a partir da macaúba

Conteúdo oferecido por Acelen

A macaúba nunca foi uma planta rara. Espalhada por praticamente todo o interior do Brasil, ela sempre esteve ali, discreta, fora do circuito das grandes culturas agrícolas e distante das decisões estratégicas da política agrária e energética. Ao longo dos últimos anos, o que mudou não foi a planta, mas o olhar lançado sobre ela, agora inserida em um projeto de agricultura, ciência, inovação e tecnologia na mesma engrenagem.

Diante desse arranjo que a Acelen Renováveis – empresa de energia criada pelo Mubadala Capital, braço de investimentos do fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos – estrutura um dos maiores projetos industriais do país voltados à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e de diesel renovável (HVO). A empresa avança na implantação da primeira unidade integrada do mundo dedicada a esse tipo de produção a partir de uma matéria-prima nativa brasileira. A primeira planta industrial completa prevê investimentos iniciais de US$ 3 bilhões e integra o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O desenho do projeto evita os atalhos comuns em iniciativas do setor. A macaúba é cultivada exclusivamente em áreas de pastagens degradadas, sem competir com culturas alimentares e sem ampliar a pressão sobre o uso da terra. Com alta produtividade e grande capacidade de captura de carbono, a planta permite escalar a produção de biocombustíveis mantendo controle ambiental e rastreabilidade. As estimativas da Acelen Renováveis indicam a formação de até 180 mil hectares cultivados ao longo do projeto, com potencial de capturar até 60 milhões de toneladas de CO₂ e reduzir em até 80% as emissões quando comparadas aos combustíveis fósseis ao longo do ciclo de vida.

O alcance do projeto, porém, não se limita aos indicadores ambientais. Um estudo da Fundação Getulio Vargas projeta a geração de até 85 mil empregos em toda a cadeia produtiva e uma injeção de cerca de US$ 40 bilhões na economia brasileira nas próximas décadas. Cerca de 20% da produção agrícola está reservada à agricultura familiar, com atuação concentrada na Bahia e em Minas Gerais — estados que reúnem tanto a base produtiva quanto o núcleo tecnológico da iniciativa.

Esse elo com o território se materializa no Acelen Valoriza, criado para inserir pequenos e médios agricultores na cadeia da macaúba. A meta inicial é estruturar 36 mil hectares cultivados, com assistência técnica, fornecimento de mudas de alta qualidade e contratos de compra futura da produção. Tudo isso para reduzir o risco para o agricultor e criar uma base produtiva estável, capaz de sustentar o crescimento industrial do projeto.

Crédito: Divulgação Acelen

Na Bahia, o município de Cachoeira abriga a primeira fazenda-modelo da Acelen Renováveis. Na primeira etapa, foram 444 hectares cultivados e cerca de 200 mil mudas plantadas, operando com práticas agronômicas voltadas à preservação do solo e do meio ambiente. Ali, o projeto deixa o campo das projeções e passa a operar em escala real.

O centro nervoso da iniciativa está em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Inaugurado em agosto, o Acelen Agripark é o maior centro de tecnologia e inovação do mundo dedicado à macaúba. O investimento total é de R$ 314 milhões, dos quais R$ 258 milhões foram financiados pelo BNDES. O complexo concentra desde o mapeamento genético da planta até o desenvolvimento de processos industriais para extração e processamento do óleo.

O trabalho começa com a formação de um banco de germoplasma, a partir da identificação de maciços com maior potencial produtivo. A partir daí, avançam as etapas de clonagem, melhoramento genético, protocolos de germinação e produção de mudas. Também estão em curso processos de automação para redução de perdas e custos, além de cultivos experimentais voltados ao aumento do rendimento do óleo.

Os resultados começam a se impor. No início de 2025, foi realizada a primeira extração industrial do óleo de macaúba, viabilizada por uma tecnologia inédita. Em setembro, estudos desenvolvidos em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) alcançaram taxas de germinação superiores a 80%,  um salto expressivo frente aos índices naturais da planta, historicamente entre 3% e 5%.

“A macaúba é pesquisada em pequena escala há mais de 70 anos no mundo e há cerca de 30 anos no Brasil. Aqui, integramos esse conhecimento com tecnologia para garantir escala global”, afirma Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis. Segundo ele, o projeto reúne universidades, centros de pesquisa e parceiros nacionais e internacionais em torno de soluções industriais, agroindustriais, de rastreamento e certificação.

Outro passo já concluído foi o projeto de engenharia da biorrefinaria que será construída na Bahia. A unidade terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros por ano de SAF e HVO a partir da macaúba. A localização foi definida pela proximidade com as áreas de cultivo, com as unidades de extração do óleo e com o Temadre, terminal marítimo de maior calado do Nordeste, peça central para o escoamento da produção.

Sem anúncios grandiloquentes, o projeto avança como uma cadeia em formação. Do plantio ao refino, da pesquisa ao território, a macaúba deixa de ser apenas uma planta nativa para se tornar eixo de uma estratégia industrial que articula transição energética, desenvolvimento regional e política de longo prazo. É ali, no encontro entre ciência, terra e indústria, que o Brasil tenta ocupar um espaço que, até pouco tempo atrás, parecia reservado a outros países.

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