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Cuidado em larga escala

Maior mutirão da história do SUS expõe a força de uma estratégia de atendimento que reorganiza o acesso à saúde especializada no Brasil

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O funcionamento do Sistema Único de Saúde sempre foi atravessado pelo sensível desafio do tempo. Entre uma suspeita clínica e o tratamento de fato, milhões de brasileiros aprenderam a conviver com a espera no percurso do cuidado. 

Nos últimos meses, esse intervalo começou a ser enfrentado com uma estratégia que combina mobilização nacional, ampliação da oferta e reorganização do acesso. Os mutirões voltaram aos holofotes da política pública, agora com escala, método e integração ao sistema.

Esse movimento alcançou um marco simbólico e operacional em dezembro. Em um único fim de semana, quase 200 hospitais, espalhados por todos os estados e pelo Distrito Federal, realizaram mais de 61,6 mil procedimentos pelo SUS. 

Foram 11,5 mil cirurgias eletivas, além de consultas especializadas e exames de imagem, concentrados em áreas com demanda historicamente represada, como oncologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e gastroenterologia. O maior mutirão já realizado pelo sistema público não foi só uma ação emergencial, ele tornou visível uma engrenagem que já vinha sendo montada ao longo de 2025.

Os mutirões passaram a cumprir um papel estruturante, deixando de operar como eventos isolados para se integrar à gestão regular das filas. Com pacientes previamente agendados, ampliação de turnos e articulação entre hospitais federais, universitários, Santas Casas e instituições filantrópicas, o esforço coletivo acelerou o atendimento sem romper a continuidade do cuidado. 

O resultado está aparecendo na redução do tempo de espera e na maior previsibilidade do percurso do paciente dentro do SUS.

Essa capacidade de mobilização é a razão de existir do programa Agora Tem Especialistas, iniciativa do Ministério da Saúde que reorganiza a atenção especializada no país. O programa articula mutirões nacionais, credenciamento de serviços, ampliação da rede pública, uso complementar da rede privada, telessaúde e formação profissional em uma mesma estratégia. Ao integrar essas frentes, o sistema amplia sua capacidade de resposta e reduz gargalos que se acumularam ao longo de anos.

Em regiões onde a oferta especializada sempre foi limitada, a estratégia ganha outras formas. Carretas móveis equipadas para exames, pequenas cirurgias e procedimentos ambulatoriais percorrem áreas remotas, zonas rurais e territórios indígenas, levando serviços que nunca haviam chegado de maneira contínua. 

Oftalmologia, otorrinolaringologia, cardiologia, ginecologia e diagnóstico por imagem passam a fazer parte do cotidiano de municípios fora do circuito tradicional da alta complexidade.

A tecnologia amplia esse alcance com a expansão da Telessaúde e dos telelaudos, que encurtam etapas do atendimento, permitem que exames sejam analisados à distância e antecipam decisões clínicas. 

Em áreas como oncologia, que cuidam do câncer, o uso de telepatologia e redes integradas de diagnóstico começa a reorganizar o tempo do tratamento, reduz atrasos que comprometem prognósticos e ampliam custos humanos e financeiros.

Outro eixo dessa transformação está na formação e no provimento de especialistas. A abertura de novas vagas de residência médica, os incentivos à atuação em áreas prioritárias e as estratégias de fixação fora dos grandes centros enfrentam um dos problemas mais persistentes do sistema: a concentração desigual de profissionais. Ao alinhar formação, necessidade territorial e capacidade instalada, o atendimento especializado agora é distribuído de forma mais equilibrada.

A relação com o usuário também muda. Ferramentas digitais como o Meu SUS Digital permitem acompanhar agendamentos, receber informações sobre procedimentos e estabelecer canais diretos de comunicação com o sistema. A fila deixa de ser invisível e passa a ser monitorada, acompanhada e comunicada, reduzindo a sensação de abandono que marcou a experiência de milhões de pessoas.

O maior mutirão da história do SUS sintetiza esse processo. Ele não inaugura a mudança, mas coloca ela em evidência. Mostra que, quando o sistema opera de forma coordenada, o tempo do cuidado pode ser reorganizado, o território pode ser alcançado e o acesso pode deixar de ser exceção. 

A atenção especializada, antes concentrada, passa a circular. E, ao circular, reafirma o SUS como política pública viva, capaz de responder, com escala e método, às necessidades concretas da população.

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