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Acelen Agripark já opera como maior centro mundial de inovação e pesquisa sobre a macaúba
Estrutura em Montes Claros reúne tecnologia e ciência para impulsionar a produção de biocombustíveis no Brasil
O avanço da transição energética no Brasil passa pela capacidade de unir conhecimento científico, inovação e desenvolvimento regional. No Norte de Minas Gerais, esse encontro já aconteceu. O Acelen Agripark – Centro de Inovação Tecnológica Agroindustrial, em Montes Claros, está em operação desde setembro e se tornou o maior centro de pesquisa e desenvolvimento do mundo dedicado à macaúba, planta brasileira que é a base de uma nova cadeia de combustíveis sustentáveis.

Imagem: Ricardo Stuckert
O Acelen Agripark faz parte do projeto de combustíveis renováveis da Acelen Renováveis, que prevê investimentos de 3 bilhões de dólares na primeira unidade integrada que soma o centro de pesquisa, a futura biorrefinaria da Bahia e o plantio de macaúba em pastagens degradadas. O empreendimento está alinhado às prioridades climáticas do país e integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), consolidando o Brasil como referência global na transição para uma matriz energética mais limpa às vésperas da COP30.

Acelen Agripark – Foto: Divulgação Acelen Renováveis
Ciência aplicada à bioenergia
Instalado em uma área de 138 hectares, o Acelen Agripark integra ciência, tecnologia e inovação agroindustrial em 59 hectares de áreas experimentais destinadas a testes de campo, 27,7 hectares de preservação permanente e 19 hectares em recuperação ambiental. Outros cinco hectares abrigam o viveiro, capaz de germinar 1,7 milhão de sementes por mês e produzir 10,5 milhões de mudas por ano. A estrutura emprega cerca de duzentas pessoas e abriga laboratórios, estufas e unidades de processamento dedicadas ao estudo da espécie.
O centro atua desde o mapeamento dos maciços de macaúba com maior potencial produtivo até o desenvolvimento de técnicas de clonagem, melhoramento genético e automação agrícola. As pesquisas incluem protocolos de germinação, produção de mudas e sistemas de cultivo capazes de reduzir perdas e custos. Além disso, o Acelen Agripark abriga plantas-piloto voltadas à extração e ao processamento do óleo e de seus coprodutos, etapa essencial para o aprimoramento tecnológico da futura produção em larga escala.

Acelen Agripark – Foto: Divulgação Acelen Renováveis
Resultados e impacto regional
Em poucos meses de operação, o centro já começa a gerar resultados. A equipe agroindustrial concluiu a primeira extração industrial de óleo de macaúba, marco que confirma o potencial produtivo da espécie e o amadurecimento da tecnologia empregada ultrapassando 80% de germinação comparada aos 3% na natureza. Esse avanço é resultado de décadas de estudos sobre a planta no Brasil e no exterior, agora reunidos em um ambiente de pesquisa aplicada, inovação e cooperação com universidades e centros de excelência.
Entre as parcerias em andamento estão projetos com a Esalq/USP e a Universidade Estadual de Montes Claros, que resultaram na criação de um genoma de referência de alta qualidade e em novos protocolos de germinação, ampliando a eficiência do cultivo. Os resultados obtidos dentro do Acelen Agripark fortalecem a base científica da bioeconomia nacional e abrem caminho para a produção em escala de combustíveis sustentáveis, como o diesel renovável (HVO) e o SAF, o combustível de aviação de baixo carbono.

Imagem: Ricardo Stuckert
O impacto regional também é significativo. Além de gerar empregos diretos, o Acelen Agripark impulsiona programas de inclusão produtiva como o Acelen Valoriza, que envolve agricultores familiares no cultivo da macaúba. Serão 36 mil hectares, o equivalente a 20% da área total planejada, em parceria com agricultores familiares e pequenos produtores. O cultivo será feito exclusivamente em pastagens degradadas, garantindo que a expansão da cadeia produtiva ocorra de forma sustentável e regenerativa.
A macaúba tem produtividade de sete a dez vezes superior à da soja por hectare plantado e potencial de reduzir 80% as emissões de CO₂ em relação aos combustíveis tradicionais. A produção resultante abastecerá a biorrefinaria da Bahia, que deverá produzir 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis por ano. Este é um modelo de desenvolvimento que alia ciência, geração de renda e recuperação ambiental, criando uma nova fronteira de oportunidades para o Brasil.
O Acelen Agripark, já em operação, simboliza essa transformação. Ele marca o início de uma nova etapa da bioenergia nacional, em que a pesquisa científica e a inclusão social caminham lado a lado para formar uma cadeia produtiva sustentável e capaz de gerar impacto. O centro é o elo que conecta o potencial natural da macaúba à capacidade tecnológica e produtiva do país, evidenciando o Brasil como líder na transição global para uma economia de baixo carbono.
