Política
Youtuber diz que ‘exagerou’ com Bolsonaro, mas não por chamá-lo de ‘tchutchuca do centrão’
Wilker Leão disse que vê o presidente como alguém que se rendeu a grupo que controla agenda do Congresso
O youtuber Wilker Leão, que chamou o presidente Jair Bolsonaro de “tchutchuca do centrão” e foi agarrado pela camisa pelo chefe do Executivo, nesta quinta-feira, disse que exagerou ao usar a expressão. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o rapaz, de 26 anos, afirmou ter usado as palavras por ver Bolsonaro como uma pessoa que se rendeu ao grupo político que atualmente controla a agenda do Congresso Nacional.
Leão foi várias vezes à entrada do Palácio Alvorada para tentar falar com o presidente. Ele disse que na primeira vez Bolsonaro reagiu de forma grosseira à sua abordagem. A segunda vez foi nesta quinta.
“Comecei a ir lá (no Alvorada) faz três meses, sempre nessa dinâmica de conversar com bolsonaristas porque ele (Bolsonaro) nunca estava por lá. Então hoje era a minha oportunidade. Quando eu o questionei, ele se inflamou e, claro, eu também. Dizer ‘vagabundo’, ‘safado’, talvez eu tenha exagerado, mas ‘tchutchuca do centrão’, não”, afirmou ele à Folha.
Leão é cabo da reserva do Exército e atua como advogado. Ele contou que, após a confusão com Bolsonaro, ficou por cerca de duas horas conversando com apoiadores do presidente na entrada do Alvorada. Mas negou que tenha sido procurado por algum representante do mandatário para um pedido de desculpas.
Convite para se candidatar
O youtuber disse que suas críticas a Bolsonaro se dão porque o presidente repetiu escândalos de corrupção de outros governos — Leão citou o mensalão. Ele disse ainda que recebeu um convite do União Brasil do Distrito Federal para ser pré-candidato a deputado estadual, mas pediu desfiliação ao saber que do apoio do diretório local à reeleição do presidente.
Leão começou a postar vídeos em seu canal no YouTube — onde o número de inscritos aumentou após o atrito com Bolsonaro — questionando o comportamento de bolsonaristas no “cercadinho” do Alvorada há pouco mais de um ano. Na ocasião, ainda estava na ativa no Exército. Ele disse que seus vídeos são para “expor a hipocrisia do governo”:
“Muita gente se ilude que ele representa princípios que não representa, como defender os militares. Ele está lá para defender o alto comando e os privilégios do alto comando”.
Por causa dos vídeos, o youtuber afirmou ter sido repreendido, já que, segundo ele, o ambiente militar não abre espaço para discussões.
“Me puniram, me trocaram de sessão, eu era da área jurídica e (me) mandaram para o pelotão de obras, trabalhar montando eventos, sendo que eu já era formado em Direito. Respondi a processo disciplinar e passei por três dias de detenção”, contou.
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