YouTube deleta vídeo com seminário completo de fundação do Itamaraty por risco de ‘danos graves’

Convidado questionou medidas para barrar o coronavírus durante pandemia

Vídeo transmitido por fundação ligada ao governo foi removido pelo YouTube. Foto: Reprodução

Vídeo transmitido por fundação ligada ao governo foi removido pelo YouTube. Foto: Reprodução

Política

O YouTube retirou do ar dois vídeos publicados pela Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, por considerar que o conteúdo estava em desacordo com suas regras.

 

 

A plataforma não informou os trechos exatos que motivaram a exclusão dos vídeos. Em nota, a empresa disse que proíbe a veiculação de conteúdos que estimulem danos físicos graves ou morte.

O YouTube tem políticas claras sobre o tipo de conteúdo que pode estar na plataforma e não permite vídeos que incentivam atividades que possam causar danos físicos graves ou morte, destacou a companhia.

“Se o proprietário de um canal achar que teve um conteúdo removido erroneamente pela plataforma, é possível contestar a decisão até 30 dias após a emissão do alerta ou aviso. Além disso, qualquer usuário que acredite ter encontrado um conteúdo no YouTube em desacordo com nossas regras pode fazer uma denúncia e nossa equipe fará a análise do material”, conclui a nota.

As imagens registravam um seminário virtual intitulado “A conjuntura internacional no pós-coronavírus”, realizado pela Funag. O vídeo que registrava a conferência completa, com cerca de três horas de duração, foi excluído nesta quarta-feira 14. Antes, havia sido retirado do ar outro vídeo que tinha apenas um trecho do evento.

Nas gravações excluídas, um dos palestrantes falou sobre suposta “nocividade” do uso de máscaras contra a Covid-19 e declarou que o acessório pode fazer mal a pessoas saudáveis. Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) segue recomendando o uso das máscaras como forma de impedir a proliferação do vírus.

 

Agenda globalista e pandemia

Em vídeos que ainda estão disponíveis na plataforma, o mesmo palestrante também falou sobre “a pandemia e a agenda globalista”, “os efeitos nocivos do isolamento social para os jovens” e “a questão da obrigatoriedade da vacinação”. Segundo ele, a obrigatoriedade da vacinação no Brasil pode ser implementada de forma similar à China, que, em suas palavras, promove “escárnio social”.

“Me pergunto se, de fato, vai ocorrer algo parecido se nós tornarmos a vacinação obrigatória, ou seja, criaria uma lista de sujeitos que vão ser negativados”, diz. “Se nós formos vacinados, podemos comprar passagens aéreas, viajar, fazer concursos, entrar numa universidade pública. No entanto, se o sujeito estiver negativado, não vai poder ter acesso a esses recursos.”

O palestrante em questão é apresentado como Carlos Adriano Ferraz e descrito pela Funag como professor de Filosofia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e funcionário do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), comandado por Damares Alves.

 

Debates de cunho conservador

A série de vídeos segue uma tendência da Funag em transmitir debates de cunho conservador na plataforma.

No canal do órgão, outras discussões tratam de temas como “Castro-chavismo: crime organizado nas Américas”, “Como destruir um país: uma aventura socialista na Venezuela” e “Resgate  da relação Brasil-Estados Unidos e seus benefícios”, este último com participação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

A fundação foi criada em 1971 para realizar eventos sobre relações internacionais.

 

Ouça o VI seminário virtual sobre a conjuntura internacional no pós-coronavírus, realizado no dia 3 de setembro, com as…

Posted by Fundação Alexandre de Gusmão – FUNAG on Friday, September 11, 2020

 

Outro lado

Em nota, o MMFDH disse que “o servidor Carlos Adriano Ferraz expressou sua opinião pessoal, que não necessariamente corresponde ao posicionamento oficial do Ministério” e ressaltou que “o servidor não participou do evento como representante oficial do MMFDH”.

Procurado, o Itamaraty não se posicionou sobre a decisão do YouTube.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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