Política

Viúva do miliciano Adriano da Nóbrega está prestes a finalizar acordo de delação premiada

Júlia Lotufo é vista pelas autoridades como peça-chave para entender os negócios de Adriano ligados à política

Júlia Lotufo e Adriano da Nóbrega. Foto: Reprodução
Júlia Lotufo e Adriano da Nóbrega. Foto: Reprodução

Júlia Emílio Mello Lotufo, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, está a ponto de acertar uma delação premiada com o Ministério Público no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelo jornalista Guilherme Amado, do Metrópoles, e confirmada por CartaCapital.

O relacionamento entre Júlia e Adriano durou 10 anos, inclusive quando ele se mudou para a Bahia, onde foi morto, em fevereiro de 2020. A viúva cumpre, atualmente, prisão domiciliar e responde a processo por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O ‘benefício’ da prisão domiciliar veio em abril deste ano, por decisão do ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça. O magistrado argumentou que os crimes atribuídos a Julia não envolvem violência ou grave ameaça e que ela é mãe de uma criança de 9 anos.

Antes, em 22 de março, o MP do Rio havia tentado prender a viúva de Adriano no âmbito da Operação Gárgula, mas não a enontrou. A partir daquele momento, ela passou a ser considerada foragida, motivo pelo qual a defesa de Júlia acionou o STJ.

Júlia Lotufo também vive uma nova etapa da vida pessoal que, segundo a Polícia Federal, tem íntima relação com os negócios. Oito meses após a morte de Adriano da Nóbrega, ela se casou com Eduardo Vinícius Giraldes Silva, empresário que, de acordo com um relatório sigiloso da PF obtido pelo jornal O Globo, devia dinheiro a Adriano.

As autoridades tomaram conhecimento do casamento após Júlia utilizá-lo como justificativa em um pedido de revogação da prisão domiciliar. Giraldes foi um dos alvos da Operação Nômade II, cuja investigação começou em 2009 e levou a ações de busca e apreensão em 17 de janeiro de 2014. A apuração mirava um esquema de clonagem de cartões de crédito.

Após procurar a polícia com a proposta de uma colaboração premiada, Júlia Lotufo foi encaminhada à promotora Simone Sibílio, que conduz a investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes. Nóbrega era acusado de chefiar a milícia e o grupo de assassinos profissionais estariam ligados dois acusados de participação direta nos homicídios.

Nessa linha, Lotufo é vista pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado como figura essencial para aprofundar a compreensão sobre os negócios de Adriano, um dos líderes do Escritório do Crime, relacionados à contravenção e à política.

O miliciano teve duas parentes empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando o filho ‘Zero Um’ do presidente Jair Bolsonaro ocupava o cargo de deputado estadual no Rio. Tratam-se da mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e de Danielle Mendonça da Costa, ex-esposa dele.

Em outubro de 2003, Flávio propôs uma moção de louvor a Nóbrega, “com orgulho e satisfação”. Em 2014, o miliano foi expulso da Polícia Militar por ligação com o jogo do bicho.

A relação entre Adriano da Nóbrega e Flávio Bolsonaro, para além do emprego de parentes, veio à tona após explodir o escândalo da rachadinha na Alerj. Segundo o MP do Rio, Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, usou empresas controladas por Adriano para lavar parte dos salários que eram devolvidos por funcionários lotados no gabinete do então deputado.

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