Vaza Jato: Delegada da PF lavrou depoimento de testemunha que não foi ouvida

'Dá no mínimo uma falsidade', afirmou Dallagnol, preocupado; a nova leva de mensagens foi enviada pela defesa de Lula ao STF

Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP

Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP

Política

Em diálogo no aplicativo Telegram em 25 de janeiro de 2016, o procurador-chefe da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, declarou que uma delegada da Polícia Federal registrou um depoimento de testemunha que não havia sequer sido ouvida.

 

 

A conversa faz parte de uma nova leva de mensagens apreendidas pela Operação Spoofing e anexadas pela defesa do ex-presidente Lula em processo que tramita no Supremo Tribunal Federal. A nova fatia do material chegou à Corte nesta segunda-feira 22.

Disse Dallagnol: “Como expõe a Erika: ela entendeu que era pedido nosso e lavrou termo de depoimento como se tivesse ouvido o cara, com escrivão e tudo, quando não ouviu nada… Dá no mínimo uma falsidade… DPFS são facilmente expostos a problemas administrativos.”

Ao comentar o episódio, a defesa de Lula pontua que, “ao invés de mostrar qualquer perplexidade com a situação, até porque é função institucional do Ministério Público realizar o controle externo da atividade policial (CF, art. 129, VII), o procurador da República ORLANDO MARTELLO revela, ainda, que tal prática — de forjar depoimentos — já ocorrera “com padilha e OUTROS”:

 

 

Os advogados de Lula ainda afirmam, no documento enviado ao STF, que “o uso de termos de depoimentos forjados no intuito de atender aos interesses da ‘lava jato’, segundo consta nas mensagens analisas, era algo contumaz, admitido e tolerado por seus membros.”

Os procuradores se referem à delegada que lavrou o termo de depoimento em questão apenas pelo primeiro nome: Erika.

A Lava Jato teve como delegada em seus primórdios Erika Marena, responsável inclusive por dar nome à operação. Não é possível, porém, afirmar que os procuradores se referem a ela.

No fim de 2016, Marena deixou a força-tarefa para cuidar da área de combate à corrupção e desvio de verbas públicas na superintendência da Polícia Federal em Santa Catarina. Depois, assumiu o posto de superintendente da PF em Sergipe.

Posteriormente, foi escolhida pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro para chefiar o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional da Secretaria Nacional de Justiça. Ela foi exonerada do cargo no dia 26 de junho de 2020.

 

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Editor do site de CartaCapital

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