Política

‘Um bando de imbecis’, disse Deltan sobre críticos de operação que levou reitor da UFSC ao suicídio

O então procurador-chefe da Lava Jato usou o Telegram para prestar solidariedade à delegada da PF Erika Marena

O procurador Deltan Dallagnol. Foto: Heuler Andrey/AFP
O procurador Deltan Dallagnol. Foto: Heuler Andrey/AFP
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O então procurador-chefe da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, ironizou em 2017 os críticos da operação da Polícia Federal contra o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier, que cometeu suicídio após a ação liderada pela delegada federal Erika Mialik Marena.

Como mostrou CartaCapital, o relatório final da PF, um calhamaço com mais de 800 páginas, é inconclusivo, frágil, inconsistente e não apresenta prova de desvio ou irregularidade. A investigação no caso de Cancellier foi encerrada por causa de seu suicídio, embora o processo, que envolve outros acusados, ainda tramite na Justiça.

Em outubro de 2017, Dallagnol recorreu ao Telegram para prestar solidariedade a Marena e atacar os que questionavam os métodos da PF nas diligências contra Cancellier. As mensagens foram publicadas nesta terça-feira 18 pelo site The Intercept Brasil.

“Erika, vi a questão do suicídio do reitor da UFSC. Não sei o que passa pela sua cabeça, mas pelo amor de Deus não se sinta culpada. As decisões foram todas dele. Não sei se publicamente houve algum ataque, mas se Vc quiser qq expressão pública de solidariedade, conte comigo”, escreveu Dallagnol em 6 de outubro.

Três dias depois, Marena devolveu: “Oi Deltan, está bem pesado, estamos como instituição e eu particularmente sofrendo muito ataque baixo nível, hoje faz uma semana da morte e a situação só veio piorando , agora surgem mentiras de toda ordem pra tentar legitimar o nosso suposto ‘abuso de autoridade'”.

Apesar de só ter respondido dez dias depois, em 19 de outubro, Dallagnol sustentou sua manifestação inicial: “Erika, eles não prevalecerão. É um absurdo essas críticas. Um bando de – perdoe-me – imbecis. Nessas horas, quando há maior pressão, o importante é focarmos na realidade crua: Vc respeita todas as regras, atuou 100% corretamente e como fazemos em TODOS os outros casos. Não fique chateada, amiga, que eles não merecem. Vc sabe que no processo de luto uma das fases é RAIVA, e faz parte que pessoas que se sensibilizem procurem atribuir culpa, mas isso é absolutamente injusto. Conte com meu apoio e minha prece”.

Procurado pelo Intercept, Deltan Dallagnol repetiu que não reconhece os diálogos e alegou que a série Vaza Jato é formada por “falsas acusações sem correspondência na realidade, por pessoas movidas por diferentes interesses que incluem a anulação de investigações e condenações”. Marena não respondeu às tentativas de contato do site.

CartaCapital
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