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Tucanos criticam Doria após ele chamar ocupantes de prédio de facção

Política

Na manhã da terça-feira 1º, o pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PSDB, João Doria, manifestou em uma rede social solidariedade às famílias do prédio que desabou após incêndio na capital paulista. Seu discurso endureceu, porém, poucas horas depois, ao afirmar, em um evento de agronegócio, que integrantes de uma facção criminosa ocupavam o edifício.

A fala foi criticada nas redes sociais pela ex-secretária dos Direitos Humanos da sua própria gestão na Prefeitura, Patrícia Bezerra, do PSDB, e pelo ex-governador tucano Alberto Goldman.

“Julgar ou criminalizar movimentos e/ou pessoas que ocupavam o prédio que desabou é irresponsabilidade. Agora é hora de cuidar das pessoas”, afirmou Bezerra em suas redes sociais.

Crítico histórico de Doria, Goldman classificou a fala do ex-prefeito como um “aproveitamento político da pior espécie”. “Ele [Doria] acha que com isso vai captar o eleitor do Bolsonaro”, afirmou a CartaCapital.

Da parte do seu sucessor no cargo de prefeito, Bruno Covas, que desde então arca com as consequências políticas da tragédia, no entanto, nenhum comentário.

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Segundo tucanos e interlocutores de prefeito e ex-prefeito, a matemática eleitoral explica o silêncio de Covas e a mudança de discurso de Doria. Com uma fala acusatória, Doria tenta captar os votos dos setores mais conservadores da sociedade.

Não à toa, a acusação foi feita em um dos principais eventos do agronegócio, no interior de São Paulo. Já Bruno Covas não tem interesse em prejudicar as ambições de seu antecessor ao Palácio dos Bandeirantes. Ele planeja ter o caminho livre para as eleições à Prefeitura de 2020.

Covas seria, segundo fontes, o herdeiro natural de Doria na Prefeitura ou em um eventual governo estadual.

Segundo a última pesquisa Datafolha, realizada dia 13, o ex-prefeito de São Paulo possui 29% das intenções de voto, seguida de Skaf, que detém 20%, e Márcio França, com 8%.

Já o presidente do diretória estadual, o deputado Pedro Tobias diz que cada candidato tem um perfil diferente e apoia totalmente a postura do seu pré-candidato ao governo de São Paulo. “Doria tem uma postura de ‘bateu levou’, enquanto Alckimin sempre foi mais pacifista. São posturas diferentes que temos que respeitar”.

Procurada, a assessoria de Doria informou que o pré-candidato não vai manifestar sobre o assunto.

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Repórter do site CartaCapital.com.br

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