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TSE: Vazamentos tentam proteger Temer?

por Redação — publicado 02/03/2017 12h58
Trechos dos depoimentos de Marcelo Odebrecht que vieram a público aliviam para o presidente, comprometem de vez o ministro Eliseu Padilha e também miram Dilma Rousseff

Embora sigiloso, o depoimento de Marcelo Odebrecht ao ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral, escorreu pelos mesmos dutos de sempre. Em poucas horas, trechos das declarações do empreiteiro estavam estampados nos portais de notícias dos principais meios de comunicação. E pareciam ter sido vazados com um único objetivo: proteger Michel Temer, enquanto se mira a ex-presidenta Dilma Rousseff e figuras do PT.

Odebrecht, segundo os relatos, teria dito que Temer “nunca” pediu dinheiro diretamente. O executivo teria confirmado a presença em um jantar no Palácio do Jaburu com o então vice-presidente e parlamentares do PMDB, no qual teria se falado da doação, mas sem menções a valores. A quantia de 10 milhões de reais em contribuição da construtora ao partido teriam sido negociada com Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil.

 Conveniente. Padilha é um cadáver ambulante desde que seu nome foi jogado na lama por José Yunes, grande amigo do presidente. Yunes se autodefiniu como “mula” do ministro, um mero transportador de “mercadorias ou valores”. Logo após a revelação de Yunes, Padilha licenciou-se da Casa Civil para se submeter a uma cirurgia de próstata. Seu retorno ao cargo tornou-se mais improvável.

Se o teor do vazamento for uma reprodução exata das declarações do executivo, Odebrecht foi menos preciso do que Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira. Segundo Melo Filho, o valor da doação foi combinada durante o jantar no Palácio do Jaburu. Dos 10 milhões de reais, 6 milhões iriam para a campanha de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e à época candidato ao governo paulista.

Em resposta às declarações de Melo Filho, anteriores ao depoimento de Odebrecht, Temer disse ter solicitado “auxílio formal e oficial", mas que “não autorizou, nem solicitou que nada fosse feito sem aparo nas regras da Lei Eleitoral".

Em relação a Dilma Rousseff, Odebrecht teria sido mais enfático. A ex-presidenta estaria informada dos repasses via caixa 2 para a campanha presidencial. Cerca de 80% da doação da empreiteira (120 milhões de 150 milhões de reais) teriam sido depositados em uma conta do publicitário João Santanna no exterior.

Em outras trechos, o empresário teria mencionado pedidos de contribuição de dois ministros do PT, Antônio Palocci e Guido Mantega. Mantega teria solicitado 50 milhões de reais em 2011. Palocci o teria procurado em 2008 para pedir à empreiteira apoio para cobrir gastos de campanha do ex-presidente Lula dois anos antes.

Dilma Rousseff respondeu por meio de nota. “Estranhamente”, escreveu, “são divulgadas, sempre de maneira seletiva, trechos de declarações ou informações truncadas. E ocorrem justamente quando vêm à tona novas suspeitas contra os artífices do golpe de 2016”.