TSE rebate fake news sobre ‘fraudes’ e reforça: Bolsonaro não mostra qualquer prova

Em nota assinada por Luis Roberto Barroso, o tribunal reage aos mais recentes ataques do presidente da República

Luís Roberto Barroso e Jair Bolsonaro. Fotos: Nelson Jr./STF e Evaristo Sá/AFP

Luís Roberto Barroso e Jair Bolsonaro. Fotos: Nelson Jr./STF e Evaristo Sá/AFP

Política

O Tribunal Superior Eleitoral reagiu nesta sexta-feira 9 aos mais recentes ataques de Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral brasileiro. As declarações do presidente são “lamentáveis quanto à forma e ao conteúdo”, frisa o TSE.

 

 

Nesta manhã, Bolsonaro ofendeu diretamente o presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, a quem chamou de “idiota” e “imbecil”. Também voltou a dizer que “corremos o risco de não ter eleição no ano que vem”, caso o Congresso Nacional não aprove a chamada PEC do Voto Impresso.

“Daí vêm os institutos de pesquisas, fraudados também, botando ali o nove dedos lá em cima. Para quê? Para ser confirmado o voto fraudado no TSE”, disse Bolsonaro. “Já está certo quem vai ser presidente no ano que vem. A gente vai deixar entregar isso?”.

O presidente da República também voltou a insinuar, sem apresentar qualquer prova, que teria havido fraude na eleição ao Planalto em 2014, na qual Dilma Rousseff venceu Aécio Neves. O próprio tucano, porém, rejeitou as alegações de Bolsonaro.

Em nota assinada por Barroso, o TSE reafirma a segurança das urnas eletrônicas, rebate as fake news sobre as eleições de 2014 e pede a Bolsonaro que apresente evidências para sustentar suas alegações.

Leia o texto:

Tendo em vista as declarações do Presidente da República na data de hoje, 9 de julho de 2021, lamentáveis quanto à forma e ao conteúdo, o Tribunal Superior Eleitoral esclarece que:

1. Desde a implantação das urnas eletrônicas em 1996, jamais se documentou qualquer episódio de fraude. Nesse sistema, foram eleitos os Presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. Como se constata singelamente, o sistema não só é íntegro como permitiu a alternância no poder.

2. Especificamente, em relação às eleições de 2014, o PSDB, partido que disputou o segundo turno das eleições presidenciais, realizou auditoria no sistema de votação e reconheceu a legitimidade dos resultados.

3. A presidência do TSE é exercida por Ministros do Supremo Tribunal Federal. De 2014 para cá, o cargo foi ocupado pelos Ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Todos participaram da organização de eleições. A acusação leviana de fraude no processo eleitoral é ofensiva a todos.

4. O Corregedor-Geral Eleitoral já oficiou ao Presidente da República para que apresente as supostas provas de fraude que teriam ocorrido nas eleições de 2018. Não houve resposta.

5. A realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do regime democrático. Qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios constitucionais e configura crime de responsabilidade.

 

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem