Política

TRF4 reduz pena imposta por Moro a doleiro da Lava Jato

Por 2 a 1, desembargadores diminuíram a condenação de doleiro Raul Henrique Srour

Ministros do TRF4 revisam as decisões de Moro
Ministros do TRF4 revisam as decisões de Moro

A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), a mesma que vai julgar o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diminuiu nesta quarta-feira 9 a pena do doleiro Raul Henrique Srour, um dos doleiros envolvidos no esquema inicial investigado na Operação Lava Jato.

Condenado por envolvimento no pagamento de propinas das empreiteiras para os diretores da Petrobras, Srour havia sido condenado a 7 anos e 2 meses de prisão por Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, mas agora cumprirá 5 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão. De acordo com o TRF4, essa é a 15ª apelação criminal da Lava Jato julgada pelo tribunal.

Segundo o entendimento da 8ª Turma, a sentença inicial de Moro, que condenou Srour por corrupção e lavagem de dinheiro, teria elevado demais a pena-base com fundamento na existência de duas circunstâncias judiciais negativas, o que foi corrigido pelo colegiado, resultando na diminuição.

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Conforme a sentença de Moro, o réu teria praticado condutas destinadas ao fornecimento de dinheiro em espécie sem que tais operações fossem adequadamente registradas perante às autoridades competentes. Em paralelo, ele teria utilizado tais recursos ilícitos para adquirir um veículo de luxo, o que configurou lavagem de dinheiro.

A decisão se deu por 2 a 1, com os desembargadores Leandro Paulsen e Victor Laus decidindo pela redução da pena. Foi derrotado o desembargador João Pedro Gebran Neto. Os três decidirão o destino de Lula, que foi condenado a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por Moro. 

Quem é Srour

Srour é conhecido por ter sido preso na primeira fase da Lava Jato. Ele liderava um dos quatro grupos de operadores de câmbio flagrados, sendo os outros três comandados por Carlos Habib Chater, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Alberto Youssef. Srour teria movimentado, conforme a sentença, quase 3 milhões de reais.

O doleiro é conhecido também por ter sido citado no caso do cartel de trens no metrô de São Paulo. Segundo o vice chefe de compliance da Siemens, Mark Gough, a conta Crystal Financial Services, de Raul Srour, recebeu dinheiro da multinacional por meio de uma conta secreta hospedada em Luxemburgo. Os valores, disse Gough em depoimento, tinham como destinatários agentes públicos brasileiros. Ao menos 7 milhões de dólares passaram pela conta da multinacional no paraíso fiscal europeu.

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