Política

Tendência é a migração de votos de Ciro e Moro para Lula e Bolsonaro, diz diretor da Quaest

Em entrevista a CartaCapital, o cientista político Felipe Nunes projeta uma eleição ‘cada vez mais polarizada’

Ciro Gomes e Sergio Moro. Fotos: Thiago Rodrigues/ Divulgação e Podemos/Divulgação
Ciro Gomes e Sergio Moro. Fotos: Thiago Rodrigues/ Divulgação e Podemos/Divulgação
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mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira 16, sugere uma mudança favorável a Jair Bolsonaro (PL) no quadro político, motivada pelo efeito do Auxílio Brasil e pela “volta dos que não foram” – ou seja, o retorno do eleitor que votou no ex-capitão em 2018, decepcionou-se com o governo, mas voltou à órbita do presidente pela ausência de um candidato competitivo na terceira via. A avaliação é do do cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, responsável pelo levantamento, em entrevista a CartaCapital.

No principal cenário de primeiro turno, as intenções de voto em Bolsonaro subiram de 23% em fevereiro para 26%. Lula oscilou um ponto para baixo, na margem de erro: de 45% para 44%, ainda com uma larga vantagem na liderança.

Na média dos cenários, Lula manteve os 46% da rodada anterior, enquanto Bolsonaro oscilou no limite da margem de erro: de 24% para 26%.

Para a terceira via, o cenário é cada vez mais desfavorável: Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos) mantiveram, cada um, os 7%. João Doria (PSDB) e André Janones também repetiram os 2% de fevereiro.

A eleição, diz Felipe Nunes, cada vez mais caminha para a polarização entre Lula e Bolsonaro.

“Embora continue havendo demanda, a oferta de candidatos não é capaz de empolgar o eleitor que buscava uma alternativa a Lula e Bolsonaro. O embate entre dois presidentes, inédito na nossa história, parece ser o que vai mobilizar o eleitorado neste ano”, avalia. “As coisas caminham muito mais para que haja uma migração de votos de Ciro, Moro e Doria na direção de Lula e Bolsonaro do que o inverso.”

Pelas projeções de segundo turno, Lula venceria qualquer adversário por no mínimo 22 pontos – no cenário mais favorável, contra Eduardo Leite (PSDB), o petista levaria a melhor por 57% a 15%.

“O Lula não só continua sendo o líder, como continua sendo o favorito”, analisa o diretor da Quaest. “Essa vantagem, embora tenha diminuído de fevereiro para março, ainda é muito expressiva e dá ao Lula a possibilidade de ser chamado de favorito.”

Entre os eleitores que consideram a economia o principal problema do País, Lula lidera as intenções de voto, com 47%. Bolsonaro, em segundo, marca 21%. Para Felipe Nunes, não é possível afirmar que o conflito na Ucrânia terá impacto negativo sobre o ex-capitão, porque “boa parte da narrativa em torno do aumento dos preços está embalada na guerra, e isso não tem a ver com o Bolsonaro”.

“A pesquisa mostra vários elementos que sugerem que Bolsonaro tem conseguido vender a sua agenda de justificativa para pandemia e economia, e boa parte tem compactuado com ele.”

O cientista político destaca, ainda, a liderança de Bolsonaro entre aqueles que enxergam a corrupção como o pior problema brasileiro. Neste segmento, o presidente vai a 45%, contra 21% de Lula e 8% do ex-juiz Sergio Moro.

A explicação, diz Felipe Nunes, passa pela semelhança entre eleitores de Bolsonaro e de Moro. “O fato de Bolsonaro ser mais competitivo faz com que o eleitor opte por ele, não pelo Moro, neste caso. É uma questão muito parecida com a comparação entre Ciro e Lula. O eleitor do Ciro tem no Lula uma opção, e o eleitor do Lula tem no Ciro uma segunda opção. E, como o Lula é muito maior, muito mais competitivo, ele [Ciro] acaba não aparecendo de maneira relevante nos levantamentos.”

Leia a íntegra da pesquisa:

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Leonardo Miazzo

Leonardo Miazzo
Editor do site de CartaCapital. Twitter: @leomiazzo

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