Política

Temos de aprender a conversar com os evangélicos, diz Lula em conferência eleitoral do PT

O presidente disse que a eleição municipal de 2024 deve reeditar a disputa contra Jair Bolsonaro

O presidente Lula (PT), durante conferência eleitoral do partido. Foto: Reprodução
Apoie Siga-nos no

O presidente Lula (PT) demonstrou preocupação em relação ao diálogo dos petistas com os evangélicos, durante conferência eleitoral do partido, realizada em Brasília, nesta sexta-feira 8.

O evento marcou a abertura do “modo campanha” da legenda para as eleições municipais de 2024.

Diante de uma plateia de cerca de 2,5 mil pessoas, Lula pregou a necessidade de os candidatos petistas se esforçarem para “aprender” a conversar com os evangélicos.

“Será que nós estamos falando aquilo que o povo quer ouvir de nós? Será que nós estamos tendo competência para convencer o povo das nossas verdades? Ou será que nós temos que aprender com o povo como é que a gente fala com ele?”, questionou Lula.

A declaração ocorreu após a divulgação de uma pesquisa Datafolha que mostrou que a reprovação ao atual governo continua maior entre os evangélicos. Segundo o levantamento, 38% dos integrantes desse grupo desaprovam a gestão de Lula.

“Como é que a gente vai chegar aos evangélicos? (…) Não é individualmente o problema de uma pessoa. É uma narrativa que nós temos que aprender para conversar com essa gente, que é gente trabalhadora e gente de bem. Gente que muitas vezes agradece à igreja por ter tirado o marido da cachaça para cuidar da família, ter tirado o marido do sofrimento, da violência, para cuidar da família. Então, nós precisamos aprender a construir um discurso para falar com essa gente”, afirmou Lula.

Ele também manifestou preocupação com pequenos e médios empresários.

“A gente está percebendo que quem vota majoritariamente no PT são pessoas que ganham até dois salários mínimos. Um metalúrgico de São Bernardo que ganha 8 mil reais já não quer mais votar na gente”, disse. “É porque essa pessoa ficou ruim? Não. É porque, possivelmente, essa pessoa elevou um milímetro o padrão de vida dela, de aprendizado dela, e nós não aprendemos a conversar com ela.”

O petista afirmou que as eleições municipais devem reeditar a disputa presidencial contra Jair Bolsonaro (PL) e pediu que os seus colegas de partido não tenham “medo de ninguém”.

No evento desta sexta, a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, chegou a defender a prisão de Bolsonaro. Ao lado de Lula estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a primeira-dama Janja da Silva, além de ministros, governadores e parlamentares do PT.

ENTENDA MAIS SOBRE: ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo