Temer: impeachment ocorreu porque Dilma recusou “Ponte para o Futuro”

Política

Na quarta-feira 21, dia seguinte a sua fala na ONU, em que defendeu o processo de impeachment de Dilma Rousseff como legal e legítimo, Michel Temer afirmou que a petista só foi apeada do poder porque recusou as propostas apresentadas pelo PMDB no documento intitulado “Ponte para o Futuro”.

A fala se deu em Nova York, nos Estados Unidos, durante discurso de Temer após almoço com empresários e investidores na sede da American Society / Council of the Americas. “Há muitíssimos meses atrás, nós lançamos um documento chamado ‘Ponte para o Futuro’ porque verificávamos que seria impossível o governo continuar naquele rumo e até sugerimos ao governo que adotasse as teses que nós apontávamos naquele documento”, afirmou Temer. “Como isso não deu certo, não houve a adoção, instaurou-se um processo que culminou, agora, com a minha efetivação como presidente da República”, concluiu.

A fala de Temer, que foi destacada em primeira mão pelo site The Intercept Brasil, corrobora a tese da defesa de Dilma Rousseff, segundo a qual os supostos crimes de responsabilidade atribuídos a ela tratavam-se meramente de pretextos para remover a presidente eleita e instaurar em seu lugar uma nova administração, para aplicar o programa rejeitado pelas urnas em 2014.

O documento “Ponte para o Futuro” foi lançado pela Fundação Ulysses Guimarães, o braço teórico do PMDB. Em linhas gerais, o programa previa menos segurança e direitos aos trabalhadores, trabalhos por mais anos aos idosos e medidas que, na prática, poderiam inviabilizar os direitos universais de acesso a serviços públicos.

Tudo em linha com mudanças prevista pelo novo governo após o impeachment, como a reforma da Previdência com idade mínima para aposentadoria; a PEC 241, que limita os gastos públicos por 20 anos; e mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

A “Ponte” e a união PMDB e PSDB

Lançada em 29 de outubro de 2015, a “Ponte para o Futuro” foi divulgada pelo PMDB dois meses depois de Temer abandonar o posto de articulador político do governo Dilma Rousseff. O vice tinha assumido essa tarefa em abril de 2015, em meio à crise entre o Planalto e o PMDB.

Dois dias depois do lançamento do documento, em 31 de outubro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou artigo no jornal O Globo clamando pela formação de um novo consenso nacional.

Em 2 de dezembro, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acata o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Em 8 de dezembro, vazou à imprensa a famigerada carta de Temer a Dilma, na qual o vice rompia com o governo.

Três dias depois, o PSDB anuncia que conseguiu conciliar as posições dos senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e fechou questão a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Durante todo o ano de 2016, o PSDB e a maior parte do PMDB passaram a atuar unidos em favor do impeachment de Dilma Rousseff. Atualmente, os tucanos integram a base de apoio de Temer e têm o segundo maior contingente de ministros em seu governo. 

Abaixo, a íntegra da fala de Temer na AS/COA: 

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