Política

TCU suspende licitação da Secom por suspeita de irregularidade

Nomes das empresas vencedoras teria vazado para um jornalista na véspera do anúncio do resultado do certame

TCU suspende licitação da Secom por suspeita de irregularidade
TCU suspende licitação da Secom por suspeita de irregularidade
Foto: Divulgação/TCU
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O ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União, suspendeu, nesta quarta-feira 10, uma licitação feita pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), no valor de 197,7 milhões de reais, por possíveis irregularidades.

A licitação era para a comunicação digital do governo. As empresas escolhidas seriam responsáveis por planejar, desenvolver e implementar soluções digitais para o governo. 

A decisão atendeu a um pedido do procurador do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, que alegou ter havido quebra de sigilo durante o processo licitatório. 

Segundo o procurador, na véspera da data do anúncio dos vencedores da disputa, um jornalista do portal O Antagonista publicou, de forma cifrada, as iniciais das empresas que teriam ganhado a licitação.

“Tenho que os fatos narrados nesta representação, por si só, revestem-se de extrema gravidade e demandam atuação imediata desta Corte a fim de evitar que se concretize contratação possivelmente eivada de vício insanável, ou mesmo por fato típico a ser apurado na esfera competente”, diz o ministro na decisão.

O ministro, no entanto, decidiu de forma contrária a manifestação de integrantes da área técnica do TCU. 

A decisão tem caráter cautelar, e precisará ser analisada pelo restante dos ministros que integram o Tribunal.

Em nota, o ministro Paulo Pimenta refutou a suspeição do processo e alegou nunca ter sido ouvido sobre o tema pela Corte.

“As denúncias apresentadas ao órgão de controle contra o prosseguimento da referida licitação são claramente movidas por interesses políticos e econômicos, uma vez que os próprios auditores do tribunal reconheceram a insuficiência de elementos para a concessão da medida cautelar que suspende o processo”, disse.

“Sempre agimos com transparência e garantimos que todas as licitantes foram tratadas com total isonomia. Tenho certeza que na medida que a Secom for notificada, os esclarecimentos serão feitos e ficará claro que as denúncias são infundadas com objetivo único de interferir no resultado final do certame licitatório”, completou.

A licitação estava na mira de parlamentares da oposição, como os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também haviam pedido a suspensão da concorrência. 

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