STJ tranca ação contra Paes por fraude em obras das Olimpíadas Rio 2016

Maioria dos ministros da Sexta Turma acolheu argumento da defesa segundo o qual acusação era baseada somente em delação

Legado tardio. A Prefeitura do Rio 
quer repassar arenas à iniciativa privada em troca da construção de escolas. (FOTO: Alex Ferro/Comitê RIO 2016)

Legado tardio. A Prefeitura do Rio quer repassar arenas à iniciativa privada em troca da construção de escolas. (FOTO: Alex Ferro/Comitê RIO 2016)

Política

Os ministros da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiram, por maioria de votos, trancar ação penal contra o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes por supostos crimes de fraude a licitação, falsidade ideológica e corrupção passiva na contratação de obras para as Olimpíadas do Rio, em 2016. Prevaleceu no julgamento o entendimento do relator, ministro Sebastião Reis, que viu ‘fragilidade’ nos elementos que acompanhavam a denúncia contra Paes.

A decisão foi dada no âmbito de recurso apresentado pela defesa do prefeito fluminense, que foi acusado pelo Ministério Público Federal de articular a articulação de um consórcio formado pelas empreiteiras OAS e Queiroz Galvão. A Procuradoria sustentou que houve simulação de licitação, sendo que a seleção prévia do vencedor do certame relativo ao Complexo Esportivo Deodoro teria ocorrido mediante solicitação de propina pelo prefeito.

Ao analisar os pedidos dos advogados de Paes, o ministro do STJ ponderou que é vedado o recebimento de denúncia com fundamento apenas em declarações de colaborador. Nessa linha, Reis destacou que, no caso em questão, as informações do delator Léo Pinheiro – que embasam a denúncia da Procuradoria – não foram sucedidas de investigação policial ou do Ministério Público quanto a sua veracidade, ‘não sendo assim suficientes para evidenciar a justa causa para iniciar a ação penal’.

Em seu voto, Reis indicou que para comprovar as alegações de Leo Pinheiro, os advogados do ex-presidente da OAS apresentaram às autoridades um arquivo com mensagens de Whatsapp. No entanto, segundo o ministro, não foi realizada diligência para checar a autenticidade das conversas, tendo a denúncia contra Paes sido oferecida cinco dias depois dos advogados prestarem esclarecimentos sobre a origem dos diálogos.

Pedido do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para trancar processo em que são apurados os crimes de fraude a licitação, falsidade ideológica e corrupção passiva na contratação de obras para as Olimpíadas do Rio, em 2016. À época, Paes também ocupava o cargo de prefeito da capital fluminense.

O ministro se manifestou pelo trancamento da ação penal, sinalizando que é possível o oferecimento de nova denúncia pelo Ministério Públio Federal, ‘desde que calcada em elementos de informação diversos ou produzidos após a apuração da consistência das informações apresentadas pelo colaborador’.

O voto de Reis foi acompanhado por Antonio Saldanha e Olindo Menezes. Restaram vencidos os ministros Rogério Schietti e Laurita Vaz, que consideraram que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ao negar um pedido de trancamento da ação, sob o entendimento de que a denúncia contra Paes se baseava em outros elementos além da delação de Leo Pinheiro.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem