Política
Sob pressão, ex-chefe de gabinete deixa a campanha de Lula
Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, sustenta que o empréstimo de R$ 249 mil com Roberta Luchsinger teve caráter privado
Sob pressão, o ex-chefe de gabinete de Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pediu para deixar a equipe de campanha do presidente da República. A decisão, confirmada por CartaCapital com integrantes da equipe petista, ocorre após virem à tona informações sobre um empréstimo que o assessor teria contraído com a empresária Roberta Luchsinger.
A transferência financeira feita por Luchsinger, que foi alvo da Polícia Federal sob suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, é alvo de investigação. A empresária também é amiga de Fábio Luís, um dos filhos do presidente. Na terça-feira, Marcola confirmou ter tomado o empréstimo de 249 mil reais com ela, em uma operação “de natureza estritamente privada”.
Ele também declarou que seus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça. “Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência. A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça”, completou a nota divulgada pela sua defesa
Marcola havia deixado o cargo no Palácio do Planalto há duas semanas para atuar na coordenação da campanha petista. Sua atribuição era cuidar da agenda do presidente, em parceria com o ex-ministro Gilberto Carvalho, como ocorreu em 2022.
Após a revelação da transferência pelo site Poder360, o assessor teria buscado Lula e seus interlocutores para apresentar explicações. Embora reconheçam que o simples pedido de empréstimo não configura crime, pessoas próximas ao presidente avaliam, sob reserva, que o episódio causou constrangimento à campanha, arrastando o petista para o centro de uma crise “desnecessária”.
Interlocutores de Marcola, por sua vez, sustentam que a saída da campanha tem o objetivo de provar sua inocência. Citam ainda que o ex-chefe de gabinete era alvo de fogo amigo devido à sua forte relação com Lula, com quem trabalha desde 2015. Em conversas reservadas com integrantes do PT nesta manhã, o ex-auxiliar também destacou o “componente político” da sua decisão: segundo ele, deixar a equipe busca afastar qualquer tentativa de associar o ex-chefe ao escândalo do INSS, como alguns bolsonaristas já ensaiam fazer.
Procurado, o cientista político não comentou. O espaço segue aberto.
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