Serraglio é chamado de “velhinho que está conosco” por fiscal presa pela PF

Política

Um áudio interceptado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Carne Fraca traz novos indícios comprometedores a respeito da possível ligação do ministro da Justiça de Michel Temer, Osmar Serraglio, com a organização criminosa que permitia a adulteração de alimentos em frigoríficos do País.

A conversa captada pela PF envolve Maria do Rocio Nascimento, funcionária do Ministério da Agricultura apontada como uma das líderes do esquema, e Flavio Evers Cassou, médico veterinário da Seara, empresa controlada pelo grupo JBS. Os dois, presos preventivamente sob ordens do juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, tinham “relação quase societária” segundo a PF.

A gravação em que Serraglio aparece é de 1º de fevereiro e foi divulga na quarta-feira 22 pelo jornal O Estado de S.Paulo. Na conversa, Nascimento e Cassou discutem uma série de assuntos, até chegarem a um debate a respeito de projeto de lei que trata sobre a fiscalização de cargas animais. Ambos reclamam da proposta, especificamente de uma emenda de Dirceu Sperafico (PP-PR).

NASCIMENTO. “Pô, mas o Sperafico?

CASSOU: “Sperafico”

NASCIMENTO: “O Sperafico não é o velhinho que está conosco?

CASSOU: “Dirceu Sperafico… não, não sei, acho que é…”

NASCIMENTO: “Não, é o Serraglio”

CASSOU: “[inaudível] Serraglio”

NASCIMENTO: “O Sperafico é filho da puta”

Este é o segundo áudio da Carne Fraca que compromete Osmar Serraglio. No primeiro, o próprio ministro da Justiça aparece, conversando com o ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho, apontado como líder da quadrilha ao lado de Maria do Rocio Nascimento. No diálogo, Serraglio chama Gonçalves Filho de “grande chefe” e o avisa a respeito da possibilidade de um frigorífico em Iporã (PR) ser fechado.

A pressão contra Serraglio aumentou porque nesta semana, a senadora e ex-ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff Katia Abreu (PMDB-TO) denunciou Serraglio como protetor de Daniel Gonçalves Filho. 

Na tarde de segunda-feira 20, ela confirmou pelo Twitter o conteúdo de uma reportagem publicada pelo Blog do Josias, do jornalista Josias de Souza. “Infelizmente esta matéria está correta”, disse Katia Abreu.

De acordo com a reportagem, Serraglio procurou Katia Abreu em dezembro de 2015 para tentar impedir o afastamento de Daniel Gonçalves Filho da superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná. Na terça-feira 21, Katia Abreu foi ao Plenário do Senado e reafirmou as acusações. Sem citar Serraglio, denunciou a atuação dos deputados do PMDB-PR que “insistiram para que a lei não fosse cumprida”. “Nunca tive notícias de uma pressão tão forte”, afirmou.

Na quarta-feira 22, a sensibilidade da situação de Serraglio ficou evidente em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Os ministros da Agricultura, Blairo Maggi, e da Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, foram convidados para para tratar da Carne Fraca, mas houve enorme resistência de governistas ao convite a Serraglio. O requerimento que chama o ministro da Justiça para conversar com os senadores só foi aprovado como forma de adiar um debate a respeito da instalação de uma CPI sobre a Carne Fraca.

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