Senadores reagem ao novo ‘caso Pazuello’ e indicam crimes do general

Negociação de doses da Coronavac com intermediários pelo triplo do preço faz 'o cerco se fechar', avaliam parlamentares

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Política

Políticos reagiram nesta sexta-feira 16 à notícia de que uma gravação em poder da CPI da Covid indica que o general Eduardo Pazuello, então ministro da Saúde, negociou fora da agenda com uma empresa intermediária a compra de 30 milhões de doses da vacina Coronavac, ao custo de 28 dólares por dose.

 

 

Dois meses antes da gravação, realizada em 11 de março deste ano, o governo federal anunciou a compra de 100 milhões de doses do imunizante, a 10 dólares por vacina. Neste caso, a negociação se deu diretamente com o Instituto Butantan, que produz a Coronavac no Brasil.

Para o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a comissão “abriu a caixa de Pandora”.

“Estão emergindo todos os esquemas do governo federal na compra de vacinas. Os brasileiros e brasileiras que morreram não foram vitimadas apenas pela Covid-19”, escreveu Randolfe nas redes sociais.

Outros membros oficiais ou ‘extraoficiais’ da CPI se manifestaram. Rogério Carvalho (PT-SE) questionou “como é que o Ministério da Saúde de um país continental como o nosso não negociava direto com os laboratórios”. Humberto Costa (PT-PE) disse que “Pazuello foi flagrado em mais uma mentira”.

Fabiano Contarato (Rede-ES), personagem assíduo nas sessões da comissão, avaliou que o registro indica a prática de dois crimes por Pazuello:

  • “falso testemunho, já que Pazuello, acusado de negligenciar apelos da Pfizer, disse na CPI que não tratava com empresas. Mentira deslavada, ao que se vê: em negócios espúrios, a conversa era empolgada”;
  • e “superfaturamento, pois desponta hipótese de contratação fraudulenta para elevar arbitrariamente o preço da vacina Coronavac ao custo três vezes superior ao ofertado pelo governo de São Paulo. Isso sem falar na hipótese de corrupção por vantagem solicitada ou aceita”.

“Li que Pazuello andaria angustiado, receando uma prisão preventiva, por não ter foro privilegiado. Como ex-delegado de polícia, eu diria que esse temor é altamente justificado: o cerco está se fechando e as evidências de desvios e ilícitos são cada vez mais convincentes”, completou Contarato.

Para Eliziane Gama (Cidadania-MA), colaboradora eventual da CPI, “a participação de Pazuello reforça uma praxe do alto escalão do MS [Ministério da Saúde]”.

“Fica clara a tentativa de criar um esquema com empresas em detrimento da negociação direta com os laboratórios. O atraso nas vacinas não foi negacionismo, foi arranjo para viabilizar a corrupção em plena pandemia”, criticou Gama.

Na Câmara, lideranças de oposição ao governo de Jair Bolsonaro também se pronunciaram sobre o episódio. Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, se referiu à revelação como “o curioso caso do governo que prefere negociar vacinas com intermediadores e atravessadores com propina e até três vezes o preço da dose e não diretamente com as fabricantes por um custo menor”.

A líder do PSOL, Talíria Petrone, escreveu nas redes: “Aparentemente, o Ministério da Saúde queria vacinas superfaturadas e com intermediadores suspeitos. Por quê? Nunca foi sobre vacina, sempre foi sobre propina”.

 

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