Secretário da Secom compara divulgação de dados da pandemia com futebol

'Todos ficam calados' sobre jogos 'sem transporte público', escreveu Wajngarten, comparando situação a dados ocultados da pandemia

Foto: Marcos Corrêa/PR

Foto: Marcos Corrêa/PR

Política

O secretário especial de Comunicação Social do governo, Fábio Wajngarten, afirmou em suas redes sociais que a mídia usa de “dois pesos e duas medidas” para classificar um “escândalo”: segundo ele, divulgar os dados referentes aos casos de coronavírus e às mortes em decorrência da covid-19 somente às 22h, como tem sido a nova prática do governo, é visto com um olhar crítico, enquanto a transmissão de futebol às 22h “sem transporte público”, não.

A comparação foi feita por Wajngarten em seu perfil no Twitter e vem após um final de semana conturbado em relação à divulgação de dados da pandemia. O Brasil é o segundo país com mais casos confirmados de contaminação pelo coronavírus, e está em terceiro lugar no ranking global referente aos óbitos causados pela doença. Ou melhor, estava: depois de mudanças feitas pelo Ministério da Saúde, o País deixou de ocupar a lista feita pela Universidade Johns Hopkins, que monitora a pandemia ao redor do mundo.

Desde a semana passada, o Ministério da Saúde alterou a forma de divulgação das informações coletadas dos estados e passou a oferecer as informações apenas às 22h. O presidente Jair Bolsonaro chegou a comentar que a medida afetaria o jornalismo. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse. “É para pegar o dado mais consolidado. E tem que divulgar os mortos no dia. Ontem, por exemplo, dois terços dos mortos eram de dias anteriores. Tem que divulgar o do dia.”, afirmou, defendendo uma medida que vai contra os parâmetros internacionais estabelecidos para o monitoramento da crise.

O Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), que reúne os secretários regionais de saúde, acusou o governo de “invisibilizar” as mortes por covid-19. A decisão do governo brasileiro coloca o país ao lado da Venezuela ou do regime mais fechado do mundo, a Coreia do Norte, na gestão da transparência das estatísticas da pandemia. “Ocultar e manipular dados é estratégia de regimes autoritários que deve ser rechaçada com veemência”, denunciou a organização Transparência Internacional.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem