Política
Saída de Lewandowski será a 15ª troca no governo Lula; veja a lista
O ministro da Justiça entregou ao presidente sua carta de demissão nesta quinta-feira 8
A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça marcará a 15ª troca na Esplanada dos Ministérios no terceiro governo Lula (PT). Nesta quinta-feira 8, o ministro entregou ao presidente sua carta de demissão.
Os rumores sobre a mudança na pasta circulavam em Brasília desde dezembro, conforme noticiou CartaCapital. Na ocasião, Lewandowski comunicou a Lula sua intenção de deixar o cargo, apontando ter cumprido sua missão após a apresentação da PEC da Segurança Pública e do PL Antifacção. Além disso, alegou cansaço. O petista tentou fazê-lo mudar de ideia, mas não conseguiu.
Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça em fevereiro de 2024, em uma espécie de “dança de cadeiras”: Flávio Dino, seu antecessor na pasta, ocupou sua vaga no STF.
Antes do recesso no fim de 2025, houve uma troca no Ministério do Turismo: saiu Celso Sabino, deputado federal licenciado pelo União Brasil do Pará, entrou Gustavo Feliciano, indicado pela cúpula da Câmara e pela ala governista do União.
Outras mudanças na Esplanada acontecerão neste ano, uma vez que diversos auxiliares do presidente devem deixar seus cargos até abril para disputar as eleições.
Confira as mudanças na Esplanada desde o início do terceiro mandato de Lula:
Celso Sabino
Perdeu o cargo de ministro do Turismo em 18 de dezembro de 2025. Foi expulso do União Brasil após desrespeitar uma orientação da cúpula da sigla para deixar o governo Lula, em meio ao anúncio do desembarque da base governista. Mesmo após a decisão interna, permaneceu à frente do ministério, alegando compromisso administrativo e a necessidade de dar continuidade a projetos em andamento, como a COP30. Foi substituído por Gustavo Feliciano.
Márcio Macêdo
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, o petista foi demitido em 20 de outubro de 2025. A troca era ventilada havia muito tempo nos bastidores, em razão de Macêdo acumular críticas entre aliados do presidente por um suposto um distanciamento da gestão petista com movimentos sociais. Em seu lugar entrou o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL).
Carlos Lupi
O então ministro da Previdência deixou o cargo dias após o escândalo dos descontos indevidos do INSS vir à tona. Foi substituído por seu então secretário-executivo, Wolney Queiroz (PDT).
Cida Gonçalves
Foi exonerada do Ministério das Mulheres por Lula para a entrada da ex-ministra do Desenvolvimento Social Márcia Lopes.
Juscelino Filho
Pediu demissão do Ministério das Comunicações em abril, depois de a Procuradoria-Geral da República denunciá-lo ao Supremo Tribunal Federal em um caso de suposto desvio na destinação de emendas parlamentares no período em que era deputado federal.
Alexandre Padilha
Deixou a Secretaria de Relações Institucionais para assumir o Ministério da Saúde e deu lugar a Gleisi Hoffmann na articulação política do governo, em fevereiro de 2025. Padilha era um desafeto declarado do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
Nísia Trindade
Saiu do Ministério da Saúde em fevereiro e foi substituída por Alexandre Padilha. Ela era alvo de pressão de parte do Congresso Nacional por supostamente não ter traquejo político — por exemplo, na hora de liberar verbas.
Paulo Pimenta
Deixou o comando da Secretaria de Comunicação Social da Presidência em janeiro de 2025, substituído pelo publicitário Sidônio Palmeira. Semanas antes de demitir Pimenta, Lula já fazia críticas à área, sob a avaliação de que o governo não conseguia transmitir devidamente suas realizações à população.
Silvio Almeida
O então ministro dos Direitos Humanos foi demitido em setembro de 2024, depois de se tornar alvo de acusações de assédio sexual. Em seu lugar, assumiu Macaé Evaristo (PT).
Flávio Dino
Deixou o comando do Ministério da Justiça para se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal em fevereiro de 2024. Foi substituído por Ricardo Lewandowski.
Daniela Carneiro
Foi destituída do Ministério do Turismo para Lula atender a demandas do Centrão e ganhar apoio no Congresso Nacional. Deixou o cargo em julho de 2023 e deu lugar a Celso Sabino.
Ana Moser
Em setembro de 2023, perdeu a chefia do Ministério dos Esportes, que passou a ser liderado pelo deputado federal André Fufuca (PP-MA).
Márcio França
Lula optou por deslocá-lo do Ministério de Portos e Aeroportos para o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, criado no momento da alteração. O cargo do pessebista foi utilizado para atrair o Republicanos, com a nomeação do deputado Silvio Costa Filho (PE).
Gonçalves Dias
O então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional foi o primeiro a deixar o governo. A exoneração aconteceu em abril de 2023, depois de vídeos registrados pelas câmeras de segurança do Palácio do Planalto mostrarem o militar na sede do governo durante os atos golpistas de 8 de Janeiro.
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