Política

Rodrigo Janot pede licença do exercício da advocacia

Comissão da OAB deve analisar pedido nos próximos dias; ainda não se sabe se afastamento influenciará em processos já instaurados

Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República. 
(Foto: Lula Marques/ Agência PT)
Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República. (Foto: Lula Marques/ Agência PT)
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O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot protocolou, nesta quarta-feira 9, um pedido de licença da atividade de advogado na sede seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O pedido deve ser analisado pela Comissão de Seleção da OAB. Segundo a entidade, o Tribunal de Ética e Disciplina decidirá se o licenciamento vai influenciar nos pedidos de afastamento provisório e nos processos éticos instaurados na quinta-feira 3. O processo corre sob sigilo.

Janot é alvo de duas representações na OAB: uma de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e outra do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Ambos pedem a suspensão e a cassação da carteira de advogado do ex-procurador-geral. Calheiros chegou a solicitar perícias psiquiátricas e toxicológicas ao ex-chefe do Ministério Público.

O pedido de licença ocorre após Janot confessar à imprensa seu plano de assassinar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, em 10 de maio de 2017. Ele teria sacado uma arma de fogo dentro do Supremo. O caso é contado no livro Nada menos que tudo, lançado pela editora Planeta na segunda-feira 7, em São Paulo.

Em 27 de setembro, um dia após as revelações de Janot, a diretoria do Conselho Federal da OAB publicou uma nota de repúdio às declarações. Para a entidade, “tais fatos demonstram completa ausência de respeito às leis, de moderação e bom senso, justamente por uma autoridade do sistema de Justiça”.

Na mesma data, o Conselho protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) com pedido de medida cautelar, para que todos os membros de carreiras ligadas à administração da Justiça, especialmente membros do Ministério Público, da magistratura e da advocacia, sejam submetidos a detecção de metais de forma idêntica. Em 1º de outubro, o STF publicou um edital para comprar 14 equipamentos de raio-x e detectores de metais.

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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