Cultura
Rodrigo França: ‘É vergonhoso ter pessoas que contribuíram para a cultura desse país passando fome’
Diretor, roteirista, escritor e ator, França está à frente do espetáculo ‘Jorge para sempre Verão’, que conta a história do ator Jorge Lafond. Assista à entrevista no Instagram
“Eu fico constrangido de ter que fazer PIX, de ter que me organizar com cestas básicas, para artistas que sempre tiveram a sua dignidade preservada e hoje não têm. Para mim, é um cenário de guerra. É vergonhoso ter pessoas que contribuíram muito para a cultura desse país passando fome.”
É assim que o diretor de teatro Rodrigo França define o atual momento para os profissionais da cultura, marcado pelos ataques e o desprezo do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em entrevista a CartaCapital, transmitida via Instagram na quarta-feira 13, França disse ver um “pedido de socorro” por parte de profissionais de cultura locais, uma das categorias do ramo mais prejudicadas pela crise econômica e pela falta de atenção do governo federal.
França criticou, por exemplo, o que chamou de “política desastrosa” do governo em relação à aplicação de leis de incentivo e de editais que financiem projetos culturais. Nesse panorama, muitos profissionais dependeram de trabalhos solidários e doações para sobreviver, ressalta ele.
“Houve um movimento importante de artistas que puderam ajudar outros artistas. Junto com o meu grupo, consegui quase 50 toneladas de comida. Isso é vergonhoso, quando você tem um governo que marginaliza, criminaliza artistas“, afirmou.
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Diretor de teatro e cinema, roteirista, escritor e ator, França, aos 44 anos, está à frente do espetáculo Jorge para sempre Verão, que conta a história do ator Jorge Lafond, intérprete da icônica personagem televisiva Vera Verão.
A peça, que está em cartaz no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, tem como um dos temas a relação do ator e da personagem com o debate público sobre sexualidade.
França relembrou como Vera Verão era um “xingamento”, sobretudo contra homossexuais negros, e disse verificar atualmente uma ressignificação da personagem por pessoas mais jovens e conscientes da causa LGBT+.
“É um manifesto. Ao mesmo tempo em que é um espetáculo de denúncia, também é um espetáculo de cura”, contou França sobre Lafond, que faleceu aos 50 anos em 2003. “A sua forma de existir já era muita militância, muita coragem.”
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