Política

Referendo sobre reformas de Temer é “a primeira coisa que vou propor”, diz Lula

Em entrevista, ex-presidente reafirma inocência e o desejo de se candidatar. “Não há ninguém que saiba cuidar do povo mais necessitado como eu faço”

Lula durante visita à ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo do Campo (SP),  no sábado 21
Lula durante visita à ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo do Campo (SP), no sábado 21
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT à Presidência da República, afirmou que, se eleito em 2018, pretende convocar referendos para revogar as reformas realizadas pelo governo de Michel Temer. As declarações de Lula foram dadas em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, publicada no domingo 22.

“O Brasil tem que voltar a ser governado pensando na maioria e não em alguns poucos, por isso a primeira coisa que penso propor é um referendo revogatório de muitas das medidas aprovadas por Michel Temer“, afirmou Lula. “É criminoso ter uma lei que limita durante 20 anos a possibilidade de investimento do Estado”, disse, em referência à emenda constitucional 55. “No Brasil faltam coisas básicas como saneamento, tratamento de água, habitações. Temos um potencial de investimento em infraestrutura que pode resolver boa parte da geração de emprego e recuperar a economia”, acrescentou. “Quando os pobres estiver de volta ao orçamento, o País voltará a crescer e vamos recuperar a confiança internacional. O capital é covarde e só virá quando souber que pode ganhar”, disse.

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Ao justificar sua candidatura, Lula mencionou os pobres. “Me candidato porque há muita gente que sabe governar, mas não há ninguém que saiba cuidar do povo mais necessitado como eu faço”, disse Lula. “Conheço suas entranhas, como vivem, o que necessitam. Achavam que a condenação iria tirar a ideia de eu ser candidato, mas conseguiram o efeito contrário”, afirmou.

Ao jornal espanhol, Lula reafirmou suas críticas à Operação Lava Jato. “O julgamento ao qual estou submetido é uma farsa. Nem a Polícia Federal nem o Ministério Público encontraram uma só prova para me acusar, por isso digo que a sentença do juiz Sérgio Moro é eminentemente política”, disse.

O ex-presidente comentou, também, a possibilidade de ser barrado das eleições e o fato de ter dito, em comício no Rio de Janeiro, que “Lula já renasceu em milhões de mulheres e homens”. “O que eu quis dizer é que para além da minha pessoa, Lula é uma ideia, de que os pobres podem ter acesso a um bom trabalho, a um salário digno, a entrar na universidade”, afirmou. “Sempre digo que o melhor efeito do meu governo não foram as obras que eu fiz, mas sim fazer o povo descobrir que podia ser sujeito da história”. E se você for condenado em segunda instância e não puder concorrer, questionou o jornal. “Espero poder me candidatar, mas ninguém é imprescindível. Há milhares de Lula”.

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