Quem é Ricardo Nunes, o novo prefeito de São Paulo

Em seu primeiro ato, o emedebista decretou luto oficial de 7 dias pela morte de Covas

Ricardo Nunes e Bruno Covas. Reprodução/Instagram

Ricardo Nunes e Bruno Covas. Reprodução/Instagram

Política

A formalidade para a efetivação do mandato de Ricardo Nunes (MDB) como prefeito de São Paulo foi cumprida no fim da manhã deste domingo 16 com a edição de um ato da Mesa Diretora da Câmara Municipal da capital extinguindo o mandado de Bruno Covas.

Na prática, Nunes não toma “posse”, uma vez que, desde 3 de maio, já era o prefeito em exercício do município. Ele será o 54º cidadão a ocupar o cargo desde a proclamação da República, em 1889.

Seguindo normas da Lei Orgânica da cidade, o presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), e os demais integrantes da mesa – Rute Costa (PSDB), Atílio Francisco (Republicanos), Juliana Cardoso (PT) e Fernando Holiday (sem partido) – editaram um ato de extinção de mandato “por motivo de falecimento”.

 

 

Um ofício com esse ato da Mesa está sendo encaminhado a Nunes no começo da tarde desde domingo. Ao receber o comunicado, o processo de transição fica oficialmente concluído.

A Câmara Municipal tomou ciência da morte de Covas pouco antes de o comunicado oficial ser publicado pela Prefeitura e pelo Hospital Sírio-Libanês, onde o prefeito vinha se tratando.

Procuradores do Legislativo redigiram a nota e os membros da mesa diretora se reuniram para deixar suas assinaturas.

Em seu primeiro ato, o emedebista decretou luto oficial de 7 dias pela morte de Covas.

“A dor toma conta, perder um amigo, um irmão, que é referência de integridade, companheirismo, generosidade, dói muito”, manifestou Nunes após a morte do tucano.

 

Quem é Ricardo Nunes?

Antes de se eleger vice-prefeito na chapa de Bruno Covas em 2020, Nunes foi vereador por dois mandatos. Ele é ligado a associação de empresários da Zona Sul e à Igreja Católica.

Na época, o vereador ficou marcado por fazer lobby para anistiar e regularizar templos religiosos irregulares na lei de zoneamento em 2016.

Reportagens da Folha de S.Paulo mostraram que Nunes é próximo de entidades gestoras de creches terceirizadas e de donos de empresas locadoras dos imóveis onde funcionam as escolas ligadas a essas instituições.

A apuração do jornal encontrou empresas ligadas a funcionários da prefeitura indicados por Nunes que fazem negócios entre si e também com as creches. Além disso, detectou parentesco entre servidores ligados ao vereador e membros das entidades, além laços com donos de empresas que faturam com aluguel.

Nunes afirma que os vínculos se formaram com pessoas da mesma região em que vive, na zona sul de São Paulo, feitos antes de ter sido eleito vereador da cidade, a partir de 2012. A presidente de uma entidade já trabalhou com Nunes anteriormente e se referiu a ele, nas redes sociais, como chefe.

O novo prefeito também foi objeto de um boletim de ocorrência de violência doméstica, ameaça e injúria registrado por sua mulher, Regina, em 2011. Os dois, que têm uma filha, continuam casados, e hoje ela nega ter havido agressão.

 

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