O deputado estadual João Paulo Rillo (PT-SP) entrou com representação no Ministério Público Estadual (MPE-SP) para pedir que se investigue a atuação das empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato em obras do governo de São Paulo. O objetivo é saber se os tentáculos do esquema alcançaram também contratos do Metrô, Dersa e Sabesp, entre outros. A ligação entre a Lava Jato e as obras paulistas seriam os doleiros detidos pela Polícia Federal, que teriam ligação com empresas participantes do cartel de trens em São Paulo, e uma lista encontrada na casa de Alberto Yousseff, que cita empreendimentos da gestão tucana, publicada com exclusividade por CartaCapital.
A representação foi protocolada na quarta-feira 8 e encaminhada ao procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa. No documento, Rillo disponibiliza um levantamento que mostra que as 16 empresas que integram o cartel de empreiteiras, e atuavam principalmente na Petrobras, também receberam, em valores atualizados, 107 bilhões de reais em contratos com o governo de São Paulo entre 1987 e 2014.
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SEJA SÓCIOA princípio, os contratos seriam regulares, mas há indícios de atuação dos doleiros, diz o documento. Um desses indicativos é uma lista encontrada com Alberto Yousseff, de 750 obras que ele teria tentado intermediar. A planilha já demonstrava que a atuação do doleiro extrapola os limites da Petrobras, pois elenca empreendimento de companhias paulistas como Metrô, Sabesp e Dersa. Para o deputado, é preciso “urgência” também nos desdobramentos do escândalo. “Falta urgência nas investigações. A expectativa é que se aprofunde a investigação em São Paulo. Essa é a oportunidade para acabar com a seletividade na apuração”, afirma.
O pedido se baseia também na prisão do doleiro Raul Fernandes Srour. Ele foi detido junto com Yousseff em março de 2014 na deflagração da Lava Jato e teria conexão direta com o cartel dos trens em São Paulo. Como já publicou CartaCapital, Srour é apontado por um diretor da empresa alemã Siemens como responsável por utilizar a conta Cristal Financial Services para receber, via Luxemburgo, pequeno país europeu, dinheiro da multinacional. A Siemens foi a empresa que delatou o esquema nas licitações de trens da CPTM e do Metrô. Além disso, Srour é um dos brasileiros com conta secreta no HSBC da Suíça.
Outro apontamento feito pelo deputado na representação é sobre a prisão de outro operador do esquema: Adir Assad. Preso em 16 de março na 10ª fase da Lava Jato, ele já foi investigado na CPI do Cachoeira, como suposto intermediário de propinas envolvendo a Delta Engenharia. A Delta participou da obra de ampliação da Marginal Tietê, suspeita de superfaturamento. Segundo o deputado, a Delta celebrou contratos, entre 2002 e 2012, com órgãos do governo de São Paulo, perfazendo um total em valores nominais de 800 milhões de reais. Destes, 664 milhões de reais celebrados na gestão José Serra (PSDB) e 140 milhões de reais na gestão Alckmin (PSDB).
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