Política

PT escala Benedita da Silva para tentar reverter desgaste com evangélicos após Carnaval

O desfile da Acadêmicos de Niterói, que contou com um enredo em homenagem ao presidente Lula, levou à Sapucaí uma ala denominada ‘Neoconservadores em conserva’

PT escala Benedita da Silva para tentar reverter desgaste com evangélicos após Carnaval
PT escala Benedita da Silva para tentar reverter desgaste com evangélicos após Carnaval
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) é a relatora do projeto que amplia a proteção a domésticas resgatadas em regimes análogos à escravidão. Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
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Evangélica, a deputada federal Benedita da Silva (RJ) foi escalada pelo PT para tentar reverter a crise com o segmento após o desfile da Acadêmicos de Niterói na semana passada. A agremiação, que neste ano produziu um enredo em homenagem ao presidente Lula, levou à Sapucaí uma ala denominada “Neoconservadores em conserva”. A escola de samba trazia famílias em latas de conserva, algumas com adereços com referência à religião.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira 23, Benedita disse que “Deus não pode ser instrumento de campanha política”. Além disso, destacou como os núcleos familiares brasileiros são diversos e distribuiu críticas ao bolsonarismo. “Usam a Bíblia como se fosse um crachá, como se Deus tivesse um partido. Nas redes o bolsonarismo diz que defende a família, mas na prática, plantam o medo, divisão e mentiras”, afirmou a parlamentar.

Anne Moura, integrante da Executiva Nacional do partido, afirmou à reportagem que a escolha de Benedita para distensionar a relação deve-se ao fato de a deputada ser “referência histórica no diálogo com as comunidades de fé” e uma voz “legítima” que contribui para “construir pontes, esclarecer fatos e reafirmar valores”.

A alegoria irritou lideranças evangélicas, afastando-as ainda mais do Palácio do Planalto em um momento em que o petista vinha tentando se aproximar desse grupo. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, o índice de desaprovação de Lula nesse segmento é de 61%, ante 34% que aprovam a gestão. No geral, a taxa desfavorável ao governo é de 49% a 45%.

Também houve reclamação no entorno do presidente. Vice-presidente do PT, o prefeito de Maricá Washington Quaquá disse considerar quer quem quer governar o País “precisa entender o Brasil real” e a sigla “não pode deixar de dialogar com quem é conservador nos costumes”. “O PT nasceu como um partido popular, e partido popular não escolhe pedaço do povo. Uma parte significativa do nosso povo pensa assim e merece respeito”, escreveu ele nas redes sociais.

Integrantes do PT avaliam ser preciso esperar a crise decantar para medir os impactos na popularidade de Lula. Somente depois disso será possível pensar em gestos mais enfáticos do presidente em relação ao segmento. “Creio que há mais barulho do que estrago”, pontua o deputado federal Jilmar Tatto (SP). Já o presidente da sigla, Edinho Silva, diz considerar “ridícula” a tentativa de desgaste do chefe do Executivo federal por uma escolha que não compete a ele nem ao partido.

No sábado, o petista comentou as críticas ao desfile de escola de samba que o homenageou no Rio: “Eu não penso [a respeito da ala]. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”, disse ele, durante entrevista a jornalistas em Nova Délhi, na Índia.

Entre integrantes do governo existe a preocupação de que esse mal-estar respingue na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O advogado-geral da União, que também é evangélico, sofre resistências entre os senadores e o Palácio do Planalto teme que o episódio seja utilizado por parlamentares contrários ao seu nome utilizem o desgaste para prejudicá-lo.

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