Política

PSL agiliza expulsões para evitar maioria em torno de Eduardo Bolsonaro

A Câmara validou assinaturas que favorecem a permanência do Delegado Waldir na liderança do partido. Ala dissidente tenta passar nova lista

Jair Bolsonaro na convenção do PSL.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Jair Bolsonaro na convenção do PSL. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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A disputa fratricida do PSL ganhou novos capítulos na tarde de quinta-feira 17. Depois de uma madrugada tensa que envolveu guerra de listas para dar a Eduardo Bolsonaro a liderança do PSL na Câmara, o presidente demitiu Joice Hasselmann da liderança do governo no Congresso. Instantes depois, Luciano Bivar, presidente do partido, destituiu Flávio e Eduardo do comando do PSL no Rio e em São Paulo.

Na noite de quarta-feira 16, os deputados pró-Bolsonaro apresentaram uma lista com 27 assinaturas para destituir Delegado Waldir, em favor de Eduardo. Em seguida, o grupo bivarista trouxe um documento com mais apoiadores, garantindo que Waldir continuaria no cargo. O grupo critica a intromissão do ex-capitão em assuntos que nada tem a ver com o executivo. “Existia um acordo para que o Waldir ficasse até dezembro, e então houvesse nova eleição. Isso havia sido pactuado inclusive com o próprio Eduardo. Veja que humilhação, o filho do presidente não tem sequer trinta deputados com ele”, ironiza o deputado Junior Bozella (PSL-SP), que tem vocalizado as demandas do grupo alinhado a Bivar.

O deputado Eduardo Bolsonaro disputa o cargo de líder do partido na Câmara

A Câmara validou a lista que favorece Waldir – das 31 assinaturas, 29 foram confirmadas. A ala dissidente tenta agora passar uma terceira lista. Para evitar a maioria em favor do 03, o PSL deve agilizar a expulsão de cinco deputados por infidelidade partidária: Bibo Nunes, Ale Silva, Carla Zambelli, Felipe Barros e Carlos Jordy. Uma vez expulsos, a ideia é substituí-los por suplentes. Bozella não enxerga uma saída pacífica para o conflito. “O lado de lá é que joga gasolina na fogueira. Não adianta um lado querer paz se o outro só quer guerra.” 

 

A escalada da guerra pesselista ameaça o futuro do partido e do governo. De um lado ficam Bolsonaro, os três filhos e cerca de vinte deputados que ameaçam deixar o partido. Do outro, Bivar e mais de trinta parlamentares que se mantém fiéis a ele. Mesmo sem um partido que o abrigue, o ex-militar pode seguir presidente. Foi eleito pelo próprio nome, entende a Justiça Eleitoral. Já no caso dos parlamentares, a tese é de que os mandatos pertencem ao partido. Pediu para sair, perdeu. A exceção se dá nos desembarques por ‘justa causa’.

O deputado Junior Bozzella critica a intromissão de Bolsonaro no legislativo pesselista (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

As alas se estapeiam por um naco do gordo fundo partidário que a sigla amealhou desde as eleições. Graças ao desempenho de 2018, o PSL vai receber neste ano 110 milhões de reais. Os bivaristas topam um divórcio pacífico, desde que não se toque em um centavo sequer do montante. Os bolsonaristas não aceitam sair de mãos abanando, e irão à Justiça para manter o mandato dos dissidentes e congelar os fundos do PSL. Para a ala bivarista, porém, o objetivo final não é sair do PSL, mas sim pavimentar a renúncia de Bivar e dar aos Bolsonaro controle absoluto sobre o partido.

Thais Reis Oliveira

Thais Reis Oliveira
Editora-executiva do site de CartaCapital

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