Política

Crise

PSDB vai entregar cargos se denúncias contra Temer forem confirmadas

por Renan Truffi — publicado 18/05/2017 14h52, última modificação 18/05/2017 14h53
O partido solicita a quebra do sigilo das investigações contra o peemedebista e indica Carlos Sampaio como novo presidente no lugar de Aécio
Wilson Dias / Agência Brasil
Fernando Henrique Cardoso

"Os implicados terão o dever moral e facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia", diz FHC

Maior aliado do governo Michel Temer, o PSDB anunciou na tarde desta quinta-feira 18 que vai solicitar a todos seus ministros que deixem os cargos se as denúncias contra o presidente da República tiverem comprovação e materialidade. O partido diz ter solicitado à Justiça a quebra do sigilo sobre as apurações para que possa tomar uma decisão.

"No que diz respeito às denúncias contra o presidente Michel Temer, nós solicitamos a quebra do sigilo para que a gente possa ter essa comprovação, com a materialidade da chamada investigação. Se essa investigação vier a corroborar os fatos, ou tiver procedimento, a bancada do PSDB solicita aos ministros que saia do governo. Obviamente que é um momento difícil, mas de enfrentamento", explicou o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (PSDB-SP).

O tucano oficializou ainda a indicação do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) para a Presidência do PSDB, no lugar do senador Aécio Neves (PSDB-MG).  "O presidente do PSDB [Aécio Neves] deve estar comunicando nas próximas horas seu afastamento e, na ausência dele, nós temos o mais velhos dos vice [Alberto Goldman], que deve chamar eleições internas para que um outro vice assuma. O nome que a bancada federal está indicando é o Carlos Sampaio".

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso engrossou o coro em prol da renúncia de Michel Temer, afirmando que seria um "dever moral" do presidente "facilitar a solução".

"Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar, são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral e facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia", declarou o grão-tucano por meio de seu perfil pessoal no Facebook, reforçando que "o País tem pressa".

Nesta quinta-feira 18, o deputado João Gualberto (PSDB-BA), ao lado de mais sete tucanos, também protocolaram um pedido de impeachment contra Temer. Na quarta-feira 17, Alessandro Molon (REDE-RJ) também havia entrado com uma denúncia de crime de responsabilidade contra Temer.