Política
PSD lança Caiado ao Planalto e tenta formar a ‘terceira via’
Governador de Goiás é escolhido por Kassab para liderar projeto presidencial, em meio a divisões internas e cenário desfavorável nas pesquisas
O PSD lança nesta segunda-feira 30 o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. A pré-candidatura será uma tentativa de posicionar o partido na disputa nacional dominada pela polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A escolha foi conduzida pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab, e busca dar unidade ao partido após um período de indefinição sobre quem representaria o “projeto”. A definição acontece uma semana após o anúncio de desistência do governador paranaense, Ratinho Junior, e a despeito da tentativa de Eduardo Leite de se manter como candidato.
Caiado entra na disputa com a tarefa de ampliar o alcance de uma candidatura que, até o momento, aparece com baixo desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Levantamentos recentes indicam que o governador tem presença limitada no eleitorado e desempenho inferior ao dos principais concorrentes.
Internamente, o PSD enfrenta dificuldades para consolidar apoio em torno do nome escolhido. Diretórios relevantes, sobretudo no Nordeste, mantêm alinhamento com o governo Lula, o que impõe obstáculos à construção de uma candidatura nacional coesa.
Além disso, o perfil político de Caiado – mais identificado com a direita – cria um desafio adicional para o partido, que vinha tentando se apresentar como uma alternativa de centro. Na prática, o governador tende a disputar eleitores no mesmo campo de Flávio Bolsonaro, reduzindo o espaço para crescimento fora desse segmento.
Apesar das limitações, a estratégia do PSD passa pela formação de alianças com partidos do Centrão, como PP e União Brasil, na tentativa de fortalecer a candidatura e ampliar sua capilaridade eleitoral. A definição de um vice, ainda em discussão, é parte central desse movimento.
Esta será a segunda vez que Caiado disputa a Presidência da República. Em 1989, na primeira eleição após a redemocratização, terminou em décimo lugar no pleito vencido por Fernando Collor. Com trajetória política associada à direita, o governador construiu sua base de apoio no agronegócio, especialmente em Goiás. À época, foi candidato pela União Democrática Ruralista (UDR), entidade historicamente ligada ao setor. Atualmente, mantém forte interlocução com produtores rurais e é identificado como um dos principais representantes políticos desse segmento.
Aos 76 anos, o ainda governador de Goiás teve sua gestão marcada por uma política de fortalecimento das forças de segurança do estado, o que levou as polícias a se tornarem mais truculentas e a adotarem uma linha mais dura. O chefe do Executivo estadual também assinou um termo com o governo dos Estados Unidos que permite que os estrangeiros explorem terras raras na região. O acordo não está em conformidade com o governo federal.
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