Protestos pró-Bolsonaro começam com ataques a Rodrigo Maia

Atos em todo o Brasil foram estimulados pelo presidente. Ex-capitão não participa oficialmente, mas compartilhou vídeos nas redes sociais

Manifestantes pró-Bolsonaro em frente ao Congresso Nacional em Brasília (Foto: EVARISTO SA / AFP)

Manifestantes pró-Bolsonaro em frente ao Congresso Nacional em Brasília (Foto: EVARISTO SA / AFP)

Política

Os atos em todo o Brasil em apoio a Jair Bolsonaro (PSL) começaram neste domingo 26 com ataques diretos ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao “centrão” e ao Congresso, além do apoio à reforma da Previdência. Há também cartazes defendendo intervenção militar, o retorno da monarquia e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No Rio de Janeiro, cartazes com dizeres como “trabalho para sustentar vermes e parasitas dos três poderes”, críticas ao custo dos deputados e a Rodrigo Maia – chamando de “idiota” e não brasileiro (ele nasceu no Chile), e pedindo a intervenção militar foram avistados.

Em São Paulo, Maia também é alvo de protestos. Um cartaz diz “Impeachment ou morte! Maia bandido”.

Em Belo Horizonte, manifestantes carregam faixas com frases como “Brasil acima de tudo, STF abaixo de todos”, “STF, chega de mimimi. Já está decidido: prisão na segunda instância” e até um cartaz insinuando que o Congresso seja bombardeado.

Em Brasília, manifestantes pediram o fechamento do STF e do Congresso. Alguns se fantasiaram de lagosta, em uma referência a uma licitação do Supremo para a compra de alimentos de 2019 com custo de cerca de 1 milhão de reais.

Em Curitiba, há cartazes em apoio a Moro e Olavo de Carvalho, guru do governo Bolsonaro (“Olavo tem razão”), além de frases contra o STF, como “Vergonha, um país onde o seu maior inimigo é sua Suprema Corte”.

Em Curitiba, manifestantes apoiam Moro e Olavo e criticam o STF. Foto: Eduardo Matysiak

Em todo o Brasil, há diversas homenagens a Sergio Moro, ministro da Justiça, e a Paulo Guedes, ministro da Economia.

Em conflito com o Congresso, os atos foram estimulados por Jair Bolsonaro, que decidiu não participar oficialmente. Segundo o portal UOL,o presidente disse neste domingo durante um culto religioso no Rio de Janeiro que as manifestações em favor de seu governo são “espontâneas” e “que o povo estará nas ruas” contra “aqueles que, com suas velhas práticas, não deixam que o povo se liberte”

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) definiu o comentário de Bolsonaro como “cinismo”, lembrando da afiliação recente do presidente com figuras como Paulo Maluf. “Cinismo de Bolsonaro dizer que manifestações são um recado para velhas práticas. Logo ele que foi até outro dia do partido do Maluf. E tem um laranjal na família e associação com é quando as fakenews e a estupidez governamental vão atentar contra a democracia. Basta!”, escreveu em sua conta no Twitter.

 

 

O ex-capital também compartilhou vídeos dos atos na capital fluminense, São Luís (MA) e Juiz de Fora (MG) em sua conta do Twitter.

Em um dos vídeos compartilhados pelo presidente, apoiadores caminham na estação de metrô de Copacabana, no Rio, cantando “a nossa bandeira jamais será vermelha”.

Os protestos defendem diversas pautas do governo Bolsonaro, como a reforma da Previdência, o pacote anticrime de Sergio Moro, combate à corrupção e um embate contra o centrão e até contra o Supremo Tribunal Federal (STF). 

Apoiadores de Bolsonaro em ato no Rio de Janeiro. Foto: Carl DE SOUZA / AFP

Provando do próprio veneno? 

O MBL (Movimento Brasil Livre), que apoiou Bolsonaro durante as eleições e decidiu não participar dos atos deste domingo, foi chamado de “bando de traidores” no ato em Brasília. “O MBL acha que somos patos. A diferença é que nós somos brasileiros, somos o povo que elegeu o Bolsonaro. Bando de traidores”, afirmou um manifestante no carro de som que está em frente ao Congresso. As informações são da Folha de S.Paulo.

Em Curitiba, manifestantes se reúnem na Boca Maldita, onde o ato deve acabar. Foto: Eduardo Matysiak

 

Em Curitiba, manifestantes se reúnem na Boca Maldita, onde o ato deve acabar. Foto: Eduardo Matysiak

Até tu? 

Durante um encontro de governadores do Sul e do Sudeste, João Doria (PSDB-SP) disse ser contra os atos deste domingo, aos quais chamou de “inoportunas e desnecessárias”. “O povo já foi à rua, já manifestou as suas posições. Consideramos como algo inútil, inadequado, e estabelecendo o potencial de confronto que não é o momento”, disse o governador de São Paulo, de acordo com a Folha de S.Paulo. 

Doria se elegeu em São Paulo surfando na onda Bolsonaro e fazendo campanha pelo chamado voto “BolsoDoria”.

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