Política

Projetos de deputados negros tramitam mais lentamente do que de colegas brancos

Levantamento da UERJ analisou o desempenho de propostas feitas por parlamentares entre os anos de 2019 e 2020

Projetos de deputados negros tramitam mais lentamente do que de colegas brancos
Projetos de deputados negros tramitam mais lentamente do que de colegas brancos
Deputada federal Benedita da Silva (PT/RJ). Foto: Câmara dos Deputados.
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As proposições de deputados federais tramitam com velocidade e efetividade distintas na Câmara, a depender do grupo racial que ele faz parte.

Mesmo com grandes semelhanças nos temas de que tratam, e no volume de proposições apresentadas, a efetividade na tramitação de proposições de pretos é significativamente mais baixa, segundo levantamento do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB), produzido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a partir do monitoramento do legislativo brasileiro em 2019 e 2020.

De acordo com o levantamento, os projetos dos deputados pretos entram nas comissões em proporção semelhante à dos brancos, mas têm menos relatores designados e pareceres emitidos.

Os pesquisadores usaram a celeridade e o andamento de propostas para calcular uma nota de “efetividade na tramitação”. Para deputados pretos, a nota é 5,4, diante de 6,5 para brancos.

“Há barreiras institucionais e políticas importantes a serem enfrentadas na Câmara por parlamentares negros, mas especialmente por aqueles que se autodeclaram pretos”, conclui o estudo.

Segundo os autores, não é a temática ou a quantidade de projetos apresentados que explica a diferença de tratamento.

O porcentual de proposições de autodeclarados pretos tratando do tema “Direitos Humanos e Minorias”, por exemplo, é 22%. Entre brancos e pardos, sobre o mesmo tema, é 17%.

“O vigor de sua atividade legislativa individual, cujo padrão é semelhante à dos brancos é incapaz de garantir que a produção desse grupo chegue a termo com a mesma velocidade empregada em propostas de outros grupos raciais”, dizem os cientistas políticos no documento. Os negros (pretos e pardos), que compõem cerca de 55,9% da população, são apenas 24,4% dos deputados federais eleitos em 2018.

Recursos

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a partir das eleições de 2020 os partidos deverão dividir os recursos do Fundo Eleitoral e do horário de propaganda no rádio e na TV segundo a quantidade de candidatos brancos e negros de cada sigla.

 

O entendimento do ministro Ricardo Lewandowski antecipou a vigência da decisão do plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia determinado a aplicação das novas regras somente a partir das eleições de 2022.

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