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Professores param SP e Alckmin reconhece greve

Política

Depois de levar 30 mil pessoas para as ruas na semana passada, os professores grevistas do ensino público do estado de São Paulo pararam o centro expandido da capital nesta sexta-feira 27 com 60 mil grevistas, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).  A Policia Militar estima 10 mil pessoas.

Os professores pedem um aumento de 75,33%, percentual necessário para equiparar a margem salarial da categoria com a de outras profissões com nível superior e mesma jornada de 20 horas semanais.

A concentração para o ato iniciou-se às 13h no vão do Masp, na avenida Paulista. Uma assembleia decidiria se a greve acabaria naquela tarde ou prosseguiria até a próxima semana. Em pouco tempo, os arredores do museu estavam tomados.

Por volta das 15h, a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, subiu em um carro de som, tomou o microfone e abriu a decisão para os grevistas, que preferiram estender a paralisação até a próxima quinta-feira 2, quando uma nova assembleia decidirá os rumos da greve na praça da República, onde fica a sede da Secretaria Estadual de Educação.

O carro de som também serviu para mandar um recado. Segundo Maria Izabel, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) finalmente admitira a existência da greve ao pedir que o secretário da pasta, Herman Cornelis Voorwald, receba em seu gabinete a Apeoesp na próxima segunda-feira às 11h. “Não iremos negociar sozinhos, queremos os professores protestando em frente ao prédio”, convocou a presidenta.

Animada com a quantidade de gente, a professora aposentada Maria Eleuza Nascimento, 72 anos, saiu de casa para engrossar o protesto, que em pouco tempo seguiria em marcha até a Secretaria. “Quando eu estava na ativa, participava das greves. Agora que está muito maior, eu não iria deixar de dar apoio. Participo porque não quero que os professores do futuro sofram o que eu sofro com a baixa remuneração.”

Com 18 anos de profissão e mestrado, a professora Cassiana de Souza Perez, 40 anos, lamenta o salário de pouco mais de 3 mil reais que recebe. “Ganho isso porque fiz mestrado. Sabe quanto meu salário valorizou com o diploma? 200 reais.”

Cassiana diz, no entanto, que sua motivação maior é chamar a atenção da população para a necessidade de uma reforma no ensino público. É a mesma intenção da professora Daniela Cappucci, 41 anos, que paga do bolso a impressão das provas que aplica a seus alunos. “As portas não fecham, as paredes têm buracos e falta papel higiênico. Se o aluno precisar usar o banheiro, ele traz papel de casa.”

Às 16h10, um dos carros de som anunciou o início da caminhada. Uma multidão saiu em passeata. As avenidas do entorno ficaram congestionadas a ponto de alguns motoristas desligarem seus carros. Foram necessárias quase duas horas para que todos os manifestantes chegassem à Secretaria. “Ainda tem gente no meio da rua Consolação”, anunciava o caminhão de som estacionado na praça da República.

Marchando na rua com os outros manifestantes, a presidenta do sindicato parou para conversar com a reportagem. Disse que aproximadamente 130 mil professores em todo o estado estão de braços cruzados, o que representa 75% de adesão, número 28 vezes maior do que informava o governador em entrevista coletiva na última quarta-feira 25: “Não está tendo greve, a verdade é essa. Você tem 2,6% [de adesão], é falta normal”.

De acordo com Maria Izabel, a única proposta do governo do estado foi a concessão de um bônus de 10,5% para 10 mil professores com bom rendimento em uma prova específica. Os outros 220 mil profissionais da rede estadual permaneceriam sem reajuste.

A dirigente ironizou o silêncio do governo e a ausência das manifestações na televisão. “Não adianta a Globo fazer matéria sobre a educação ideal se não mostrar como ela é agora.”

Por volta das 18h30 a dispersão começou. “Será temporário”, previu a professora Jacqueline dos Santos, de 42 anos e 20 de profissão. “Segunda-feira estarei aqui para a reunião com o secretário e na assembleia de quinta-feira seremos 100 mil.”

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