Procuradores ironizam morte de parentes de Lula em mensagens da Vaza Jato

'Querem que eu fique pro enterro? :)', escreveu a procuradora Jerusa Viecili

Lula em velório de Marisa. Foto: Nacho Doce/Reuters/ZUMA Press/fotoarena

Lula em velório de Marisa. Foto: Nacho Doce/Reuters/ZUMA Press/fotoarena

Política

Procuradores da Lava Jato aparecem, em novo vazamento de mensagens, ironizando a morte de familiares do ex-presidente Lula e discutindo méritos em autorizar ou não as saídas para os velórios de Vavá (irmão) e de Arthur (neto). A reportagem com os conteúdos revelados foi publicada pelo portal UOL na manhã desta terça-feira 27.

As mensagens mostram comentários que ironizam o AVC (Acidente Vascular Cerebral) da ex-primeira dama Marisa Letícia, morta em 2017, e atacam Lula. Logo após a notícia ser publicada no grupo do Telegram em que os procuradores conversavam, Januário Paludo diz: “Estão eliminando as testemunhas”.

Já Laura Tessler chama de ‘vitimização’ uma possível manifestação de luto do ex-presidente. “Quem for fazer a próxima audiência de Lula, é bom que vá com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização”, escreveu. Entre eles, Jerusa Viecili recebe a notícia com um emoji de sorriso: “Querem que eu fique pro enterro? 🙂 “.

Após o ex-presidente manifestar que a esposa tinha sofrido com as recentes inspeções da Lava Jato em sua casa e nas residências dos filhos, o grupo altera ainda mais o tom de ataques. “Ridículo… Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão… ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula”, diz Laura Tessler. Januário Paludo ainda afirma que “sempre teve uma pulga atrás da orelha” com o aneurisma de Marisa Letícia. “Não me cheirou bem”, completa.

Deltan Dallagnol, o chefe da Operação no Ministério Público Federal, opina: “bobagem total… nguém mais dá ouvidos a esse cara”.

Vavá e neto Arthur também são alvos

No começo de 2019, o irmão do ex-presidente Lula, Vavá, também faleceu em decorrência de um câncer. Imediatamente após tomarem conhecimento da notícia, os procuradores mostram-se preocupados com um pedido de ida ao velório por parte de Lula, um direito de todo preso em regime fechado.

“Ele vai pedir para ir ao enterro. Se for, será um tumulto imenso”, diz Athayde Ribeiro Costa. Os procuradores, então, discutem que Lula seria um “preso diferente” por conta do temor de uma suposta fuga ou impedimento de retorno à Curitiba, que poderia ser articulado, para eles, por militantes do Partido dos Trabalhadores (PT). Lula foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal a comparecer ao enterro na hora em que Vavá já estava sendo velado. O ex-presidente escolheu permanecer na prisão.

Mesmo assim, Laura Tessler e Januário Paludo continuaram a comentar. “O foco tá em Brumadinho…logo passa…muito mimimi”, escreve Tessler, já que a Polícia Federal declarou que os esforços estavam concentrados na tragédia do rompimento da barragem da Vale, ocorrida dias antes, em 25 de janeiro. Paludo, por sua vez, ironiza o amigo que defende a saída de Lula: “o safado só queria passear e o Welter com pena.”

Ainda em 2019, Lula também perdeu o neto Arthur, de sete anos. “Preparem para nova novela ida ao velório”, escreve Jerusa Vecili. “Putz… no meio do carnaval”, é a primeira reação por parte de Athayde Ribeiro Costa.

Na ocasião, o ex-presidente foi autorizado a comparecer ao enterro do neto, escoltado pela Polícia Federal. Quando comentou que o neto havia sofrido bullying na escola por ser um Lula da Silva, a procuradora Monique Cheker comentou: “Fez discurso político (travestido de despedida) em pleno enterro do neto, gastos públicos altíssimos para o translado, reclamação do policial que fez a escolta… vão vendo”.

 

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