Política

Corrupção

Preso, Sergio Cabral é apontado como chefe de quadrilha pelo MPF

por Redação — publicado 17/11/2016 09h24
Ex-governador do Rio de Janeiro é acusado de envolvimento em esquema que desviou pelo menos 224 milhões de reais
Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Sergio Cabral

Cabral foi levado pela Polícia Federal aos gritos de "ladrão"

Ex-governador do Rio de Janeiro por quase oito anos e figura ainda muito influente na gestão de seu sucessor, Fernando Pezão (PMDB), Sergio Cabral terá dificuldades para retornar à vida política, como seu partido, o mesmo de Michel Temer, planejava desde 2015. Cabral foi preso nesta quinta-feira 17 na Operação Calicute, desdobramento da Operação Lava Jato, e é apontado pelo Ministério Público Federal como líder de uma organização criminosa "dedicada à prática de atos de corrupção e lavagem de dinheiro".

Cabral foi preso em sua residência, um prédio no Leblon, e deixou o local aos gritos de "ladrão" e "lincha", proferidos por cidadãos que acompanhavam a ação da Polícia Federal. Alguns tentaram bloquear a passagem das viaturas da PF e foram repelidos pelos agentes com gás pimenta, que atingiu também jornalistas.

A Operação Calicute foi deflagrada graças a uma ação cooperativa entre duas varas diferentes da Justiça Federal. A 13º Vara Criminal de Curitiba, comandada por Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância, e a 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, onde o encarregado é o juiz Marcelo Bretas.

Os dois emitiram mandados de prisão preventiva contra Cabral e outras sete pessoas acusadas de desvios em obras de engenharia no Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com o MPF, a partir do aprofundamento das investigações dos casos da Lava Jato no Rio de Janeiro, especialmente da Operação Saqueador e das delações premiadas de executivos das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia, foi descoberto um "amplo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro", que envolvia "o pagamento de expressivos valores em vantagem indevida por parte das empreiteiras ao ex-governador Sérgio Cabral e a pessoas do seu círculo para que fossem garantidos contratos de obras com o Governo do Estado do Rio de Janeiro".

Entre as obras alvos de desvio estariam, ainda segundo o MPF, a reforma do Maracanã para receber a Copa do Mundo de 2014; o "PAC Favelas" e o Arco Metropolitano, todas com financiamento ou pagas com recursos federais. 

Além da Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia, outras empresas teriam feito pagamentos de propina. A estimativa dos investigadores é de que ao menos 224 milhões de reais foram desviados.

Em Curitiba, a força-tarefa da Lava Jato apurou que Cabral recebeu propina em dinheiro, no valor de pelo menos 2,7 milhões de reais. O dinheiro teria sido entregue por executivos da Andrade Gutierrez a emissários do então governador, inclusive na sede da empreiteira em São Paulo. O pagamento teria ocorrido em decorrência do contrato celebrado entre a empreiteira e a Petrobras para as obras de terraplanagem no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).