Política

Presidente da COP30 chama países para ‘mutirão’ contra mudanças climáticas

André Corrêa do Lago diz que ‘mudança ou catástrofe’ deve forçar postura mais combativa dos países sobre a crise do clima

Presidente da COP30 chama países para ‘mutirão’ contra mudanças climáticas
Presidente da COP30 chama países para ‘mutirão’ contra mudanças climáticas
André Corrêa do Lago, presidente da COP30. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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Escolhido pelo presidente Lula (PT) para chefiar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em novembro, o embaixador André Corrêa do Lago convocou os países para um “mutirão global” contra a mudança do clima.

Em carta divulgada nesta segunda-feira 10 pela presidência do evento, Lago disse que o impacto sobre os países no aspecto climático é “inevitável”, seja “por mudança ou por catástrofe”.

“Se o aquecimento global não for controlado, a mudança nos será imposta, ao desestruturar nossas sociedades, economias e famílias”, diz o presidente da COP30. “Mudar pela escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia, mas sim pela resiliência e pela agência em direção a uma visão que nós mesmos projetamos.”

O tom de alerta endossa a necessidade de avançar em negociações que levem a medidas concretas no combate aos efeitos da crise climática. Exemplos da extensão do problema não faltam: 2024 foi o ano mais quente já registrado, com a temperatura média global da superfície ficando 1,55°C acima da média pré-industrial. 

Enquanto isso, a Organização Meteorológica Mundial mostrou que em 2023 a concentração de gases do efeito estufa — especialmente o dióxido de carbono (CO2) — bateu recordes. O Brasil não passa imune à crise, uma vez que o ano passado foi o mais quente registrado no País desde 1961, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

Lago, então, clamou para que os países façam da COP30 um momento de mudança. “Juntos, podemos fazer da COP30 o momento em que viramos o jogo, quando colocamos em prática nossas conquistas políticas e nosso conhecimento coletivo sobre o clima para mudar o curso da próxima década.”

Risco de esvaziamento

Não bastassem as tradicionais dificuldades de formar consenso em torno de medidas práticas para combater a crise climática, o evento brasileiro conta com um problema adicional: o risco de esvaziamento pela abordagem negacionista do governo Donald Trump, dos Estados Unidos.

Lago, porém, discorda de que a saída dos EUA do Acordo de Paris possa comprometer a COP30. Em entrevista no fim da semana passada, o embaixador reconheceu que, apesar da decisão de Trump, “parcela significativa do PIB americano continua pretendendo observar” o tratado internacional.

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