Política

Prefeitura de São Paulo retoma espaço ocupado pelo Teatro de Contêiner

Cia teatral já havia concordado em mudar para outro espaço

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A prefeitura de São Paulo retomou nesta quinta-feira 15 o terreno no centro da cidade que vinha sendo ocupado há quase dez anos pelo Teatro de Contêiner Mungunzá.

Segundo comunicado da prefeitura, que lacrou o lugar com a presença da Guarda Civil Metropolitana (GCM), a operação de desocupação ocorreu sem qualquer intercorrência.

A prefeitura agiu amparada pela decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública, que encerrou o prazo de permanência do grupo teatral naquela área.

Lucas Breda, um dos gestores do teatro, disse à Agência Brasil que o grupo não esperava a ação da prefeitura:

“Foi uma surpresa total. Estamos desde o dia 26 de dezembro tentando contato com eles, mas não temos resposta.”

Neste momento, os representantes do teatro tentam falar com a Secretaria da Cultura do município.

Em agosto do ano passado, a Justiça havia concedido uma liminar para permanência do grupo no local por 180 dias, mas depois derrubou para 90 dias.

Segundo Breda, o grupo já tinha concordado em se mudar do local e ir para outro espaço indicado pela prefeitura, na rua Helvétia 807, também no centro de São Paulo.

“Estamos em fase de mudança. Cumprimos com todas as nossas atividades no teatro até o dia 19 de dezembro”.

O gestor contou que a companhia de teatro está produzindo a planta e o projeto de logística do novo espaço, mas que precisa de acesso ao local pra fazer a mudança:

“Como fazemos a mudança se fomos interditados de entrar?”

Marcos Felipe, outro gestor da cia teatral, publicou um vídeo nas redes sociais nesta manhã, no qual reforça o pedido de mais tempo para fazer a mudança:

“O teatro foi lacrado e estamos sem acesso às nossas coisas, à nossa história. Com este vídeo, faço um apelo: nós já aceitamos o terreno oferecido pela prefeitura, na rua Helvétia. A gente precisa de tempo para tirar tudo daqui de forma organizada”.

Felipe pede diálogo com a prefeitura:

“Chamem a gente para conversar, chamem para o diálogo. Nós já aceitamos sair daqui, mas não temos condições financeiras de fazer isso assim de imediato. Não somos intransigentes. Intransigência é a gente chegar no espaço e ele estar lacrado sem um mínimo de comunicação. Nós não merecemos isso”.

Disputa

Os representantes do teatro e a prefeitura vinham há meses em uma disputa judicial pelo espaço. O terreno é da prefeitura, que diz que quer usá-lo para construir unidades habitacionais populares, uma quadra de esportes e também para revitalizar o entorno.

Durante o ano passado, a classe artística se mobilizou a favor do Teatro de Contêiner. Atores como Antônio Fagundes, Fernanda Torres, Marieta Severo, entre outros, fizeram apelos para a continuidade do espaço.

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