Política
‘Por que não volta para o Ceará?’: vereadora do PL comete xenofobia contra colega do PT na Câmara de Curitiba
Delegada Tathiana Guzella sugeriu que Vanda Assis deixasse a capital paranaense
A vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) virou alvo de uma representação no Ministério Público Federal após dizer à vereadora Vanda de Assis (PT) que ela deveria “voltar para o Ceará”, durante uma sessão da Câmara Municipal. O caso ocorreu na quarta-feira 5 e é tratado pela petista como xenofobia.
Natural de Campos Sales (CE), Vanda se manifestava sobre um projeto de lei de autoria do vereador João Bettega (PL) que pretende criar um cadastro municipal de pessoas em situação de rua. Assistente social por formação, ela criticava a proposta sob o argumento de que o principal problema de Curitiba não é a ausência de cadastro, mas a falta de políticas públicas e de atendimento efetivo.
Tathiana pediu um aparte durante o discurso de Vanda. “A senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, os partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas vem encher o saco aqui”, disparou a vereadora do PL.
Vanda reagiu e classificou a declaração como xenofóbica. O presidente da sessão, Leonidas Dias (Podemos), interrompeu Tathiana e determinou o desligamento de seu microfone.
Ao retomar a palavra, Vanda afirmou que a conduta configura é criminosa. “Essa prática de dizer ‘por que você não volta para a sua cidade?’ e ‘por que você veio para cá?’ é xenofobia, e xenofobia é crime, vereadora. A senhora será representada por isso. Eu sou a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba, e um dos papéis que vou cumprir aqui é combater a xenofobia.”
A vereadora Giorgia Prates (PT) se solidarizou com Vanda e afirmou que o ataque pessoal substituiu o debate sobre o projeto. Segundo Giorgia, a declaração de Tathiana pode configurar infração ao Código de Ética da Câmara.
Após a sessão, Vanda divulgou uma nota em que afirmou não considerar o episódio uma simples divergência política. Ela ressaltou que o ataque ocorreu em uma sessão pública transmitida ao vivo e relacionou o caso ao preconceito enfrentado cotidianamente por migrantes.
Antes disso, ainda na Câmara Municipal, a vereadora petista acionou a Polícia Militar, mas, segundo ela, a corporação não compareceu ao local.
O entendimento do Supremo Tribunal Federal é que a xenofobia se equipara ao crime de racismo. Com isso, a pena pode chegar a três de reclusão, a depender da conduta praticada.
Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, o Paraná está entre os estados que mais receberam migrantes de outras unidades da Federação nas últimas décadas. Entre os principais fluxos internos estão pessoas oriundas das regiões Norte e Nordeste.
CartaCapital procurou Vanda de Assis e questionou a Polícia Militar do Paraná, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.
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