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Por água abaixo

As chuvas também devastaram o patrimônio histórico e arruinaram a vida cultural do estado

Símbolo da tragédia. O Memorial do Rio Grande do Sul é um dos museus inundados pela cheia histórica do Guaíba – Imagem: Camila Diesel/Sedac/GOVRS
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No início dos anos de 1960, o gaúcho Jorge Alves dos Santos montou uma pequena banca de jornal no centro de Porto Alegre. Com o tempo, ampliou a oferta de produtos e passou a também vender livros. Faleceu em 1977. Num primeiro momento a esposa, dona Geraci, assumiu o ponto. Depois, os dois filhos, Nara e Fernando, passaram a dividir a tarefa com a mãe. Agora, são os irmãos que administram o negócio familiar. Localizado em uma das esquinas defronte ao Mercado Municipal, um dos pontos mais tradicionais da cidade, a enchente destruiu quase tudo, menos a esperança e o desejo de recomeçar. “Há alguns anos enfrentamos a pandemia. Foi muito difícil, renegociamos as dívidas e conseguimos nos reerguer. Agora, vamos recomeçar outra vez”, afirma Fernando.

A destruição da banca da família Santos é um pequeno retrato do estrago causado pelas chuvas no ambiente cultural do Rio Grande do Sul. Por todo o estado, museus, teatros, centros culturais e prédios históricos tiveram suas instalações invadidas pelas águas. Incontáveis livrarias, sebos e editoras de livros perderam boa parte de seu acervo. No bairro Cidade Baixa, reduto boêmio de Porto Alegre, centenas de músicos, atores, técnicos e diretores de espetáculos caíram no desemprego da noite para o dia – cenário que se repete em incontáveis polos de cultura no estado.

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