Política
Policiais rodoviários federais fazem protesto contra Bolsonaro: ‘Não aguentamos mais traição’
PEC Emergencial, aprovada pela Câmara, congela reajuste salarial em cenários de crise fiscal. Líder de grupo diz existir ‘lockdown policial’
Um grupo de policiais rodoviários federais realizou um protesto contra o governo de Jair Bolsonaro nesta quinta-feira 11, para criticar a aprovação do texto da PEC Emergencial pela Câmara dos Deputados.
A manifestação faz parte de uma série de críticas que Bolsonaro e sua equipe econômica vêm sofrendo de um dos setores que o presidente mais diz defender.
A PEC foi formulada como uma espécie de contrapartida para que o governo banque uma nova rodada do auxílio emergencial por fora do teto de gastos. O valor aprovado pelo Congresso é de 44 bilhões de reais. Por colocar mais pressão sobre os gastos do governo, o texto prevê medidas de contenção fiscal.
Uma delas é a proibição de reajuste salarial no funcionalismo quando os “gatilhos fiscais” são acionados. O presidente havia prometido tirar o setor de segurança pública da PEC, mas a articulação não teve pleno êxito.
Durante a votação de um dos destaques (pedidos de mudança no texto da PEC), que sugeria retirar todas as medidas de corte de gastos diante de uma crise nas receitas, o governo concordou com a supressão dos trechos que impediam, nesse contexto em que os “gatilhos” são acionados, a progressão de carreira e a promoção de servidores públicos. Mas a proibição de reajuste salarial nesses cenários foi mantida.
Em um vídeo publicado pelo pastor Alexandre Gonçalves, diretor parlamentar do Sindicato dos Policiais e Servidores da Polícia Rodoviária Federal de Santa Catarina, o presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais aparece ao lado de outros agentes com uma faixa de protesto contra o presidente. “Bolsonaro, os PRFs não vão carregar a granada no bolso sozinhos”, diz a mensagem.
Os manifestantes chamam a medida de “lockdown policial”. “Caro colega PRF, nós não aguentamos mais enganação, enrolação e traição. O governo federal decretou lockdown na segurança pública civil”.
O presidente da FENAPRF expressa a indignação de todos com a "granada" de Bolsonaro. Não exigimos reajuste, pois sabemos a situação das pessoas de nosso país. Queremos concurso, progressão e reestruturação na carreira. A conta é dos bancos! Lockdown Policial! pic.twitter.com/gpIYvKwHi3
— Alexandre Gonçalves (@Pr_AlexandreGon) March 11, 2021
Outras entidades do setor de segurança pública também se manifestaram entre quarta-feira 11 e esta quinta. A União dos Policiais do Brasil afirmou ser oposta às mudanças da PEC “a fim de combater o desmonte econômico, social e profissional que vem sendo imposto ao serviço público e a toda segurança pública brasileira”.
Já a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal enviou um ofício a todos os superintendentes regionais da Polícia Federal “alertando sobre o risco de aprovação da PEC 186, que pode trazer sérios reflexos ao sistema de segurança pública do país, em especial à Polícia Federal.”, alertam.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais afirmou, também em nota pública, ver com “preocupação o descaso exprimido pelo governo federal”.
“A emergência brasileira é por acesso e disponibilidade de vacinas e do auxílio aos mais necessitados, não da demonização do serviço público, por meio do congelamento de direitos e de estrutura que poderá chegar a 15 anos, afetando diretamente a população mais carente desses serviços. Tudo isso vai na contramão das necessidades do Brasil, que clama por mais segurança e por forças de segurança mais bem equipadas e cada vez mais qualificadas.”
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