Política
Polícia indicia militar parado em blitz com arma de Bolsonaro, mas poupa o ex-presidente
O delegado responsável pela investigação não viu responsabilidade do ex-capitão no caso
A Polícia Civil do Distrito Federal decidiu indiciar o sargento Estácio Leite da Silva Filho, que integra a equipe de segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e foi flagrado em uma blitz de trânsito em Brasília com uma arma de propriedade do ex-capitão.
Em relatório publicado nesta quarta-feira 1º, o delegado Thiago Boeing Schemes da Silva, responsável pelo inquérito, determinou que o Supremo Tribunal Federal seja notificado sobre a conclusão das investigações, que não apontam responsabilidade de Bolsonaro pelo episódio.
O delegado afirmou que Estácio Leite “transportava arma de fogo e munições de uso restrito em desacordo com a determinação legal, na condição de militar das forças armadas”. A apreensão aconteceu em 15 de junho.
A reportagem tenta contato com a defesa de Estácio Leite da Silva Filho. O espaço segue aberto.
No relatório, o delegado citou o depoimento prestado por Estácio Leite. Na ocasião, o militar afirmou ter sido acionado para verificar um problema na arma e disse que os integrantes da família Bolsonaro estavam de cientes da situação.
A arma, então, teria sido retirada da casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar com o aval da ex-primeira-dama Michelle. O militar afirma ter resolvido o problema da pistola por conta própria e aguardado um retorno de Michelle para devolvê-la, o que não aconteceu, pois ela estava em viagem.
“Diante disso, ele [Estácio Leite] decidiu levar o armamento para casa, pois não havia o aval dela [Michelle]. Ele saiu da residência por volta das 22h20, levando o armamento no veículo, e fez o trajeto até Taguatinga, passando por uma blitz de bafômetro, onde foi parado por policiais militares”, diz o documento. “Ao estacionar o veículo, duas policiais acenderam lanterna observaram a arma no chão do carro.”
O delegado indicou, ainda, que Bolsonaro tinha registro válido da pistola apreendida e que não havia restrições para que ele mantivesse a arma em sua residência. “Portanto, não vislumbro materialidade e conduta dolosa de eventual crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito”, escreveu Schemes no relatório.
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