Política
PGR quer tirar de Moraes pedido para suspender os perfis de Nikolas Ferreira
A ação, de autoria da deputada Érika Hilton, foi protocolada no âmbito do inquérito sobre o 8 de Janeiro
A Procuradoria-Geral da República se manifestou pela rejeição de um pedido para suspender os perfis do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes sociais devido ao discurso transfóbico proferido pelo bolsonarista no plenário da Câmara no 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres.
A ação, de autoria da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), foi protocolada no âmbito do inquérito que investiga os atos golpistas do 8 de Janeiro. Para a parlamentar, o bolsonarista utiliza seus perfis na internet para disseminar “notícias falsas, transfobia e incitação à transfobia”.
Na manifestação, assinada pelo subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos, a PGR diz não ver relação do pedido com a invasão bolsonarista aos prédios dos Três Poderes. Segundo o órgão, o caso deve ser analisado pelo ministro Andre Mendonça, relator de outras ações que questionam a conduta de Ferreira.
“Os pedidos formulados em desfavor do Deputado Federal Nikolas Ferreira relacionam-se a fato ocorrido em 8 de março do presente ano, sem conexão com os atos atentatórios contra o Estado Democrático de Direito“, escreveu Santos.
Durante sessão em homenagem às mulheres no 8 de Março, Ferreira usou a tribuna da Câmara para debochar de mulheres trans. Ao vestir uma peruca loira, o deputado disse se chamar Nicole e afirmou que, por isso, tinha “lugar de fala”.
Depois do discurso, deputados ingressaram com ações no STF e no Conselho de Ética da Câmara. Nikolas Ferreira já era investigado por transfobia em outro processo, protocolado pela deputada Duda Salabert (PDT).
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