Política

PGR defende que mulher seja afastada de desembargador de SC investigado por trabalho escravo

A vítima foi resgatada da residência do magistrado em junho e levada a uma entidade de apoio, mas retornou à residência dois meses depois

PGR defende que mulher seja afastada de desembargador de SC investigado por trabalho escravo
PGR defende que mulher seja afastada de desembargador de SC investigado por trabalho escravo
Imagem: Antonio Augusto/PGR
Apoie Siga-nos no

A Procuradoria-Geral da República defendeu que Sônia Maria de Jesus, resgatada da casa do desembargador de Santa Catarina Jorge Luiz Borba, seja novamente afastada dos investigados. A manifestação foi protocolada no âmbito de um habeas corpus apresentado ao Supremo Tribunal Federal pela Defensoria Pública da União.

A mulher foi resgatada da residência do magistrado em junho e levada a uma entidade de apoio, mas retornou à casa dois meses depois, graças a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça.

Para o subprocurador-geral da República Carlos Frederico dos Santos, porém, a decisão deve ser revista. Ele reforça que o avanço da investigação permitiu à PGR denunciar Borba e a esposa dele, Ana Cristina de Borba, pelo crime de redução de pessoa a condições análogas à de escravo.

Ao defender que a vítima permaneça afastada do casal até a conclusão da apuração, o subprocurador destaca a existência de laudos técnicos sobre a vulnerabilidade da mulher, que é surda e não conhece a linguagem de sinais, além da impossibilidade de sua manifestação de vontade de forma livre e inequívoca.

“As circunstâncias são tão complexas que não soa exagero se comparar a situação àquela pela qual passam as vítimas da ‘síndrome de Estocolmo’, estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor”, diz um trecho do parecer.

Para Carlos Frederico dos Santos, a ordem que permitiu a retomada do convívio entre investigados e vítima é “teratológica”, o que justifica a análise do habeas corpus pelo STF mesmo que o caso não tenha esgotado a tramitação no STJ.

Ele ressalta haver flagrante ilegalidade, a permitir a submissão da vítima a severas restrições em sua liberdade individual. Por fim, afirma que “o retorno da vítima à casa dos denunciados compromete não apenas seu processo de aprendizado em Libras, como interrompe a construção de sua autonomia e de desvinculação afetiva (dependência) em relação aos seus antigos patrões”.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo