Política

PF diz que deputados do PL cobravam propina de 25% por emendas do orçamento

A acusação recai sobre os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Investigação da Polícia Federal acusa três deputados federais do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PL, de participarem de suposto esquema de cobrança de propina de 25% sobre o valor de emendas parlamentares destinadas ao Maranhão. As verbas da saúde desviadas do orçamento da União retornariam aos deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE), por meio de um esquema criminoso que envolvia ameaças. O líder do esquema seria Josimar Maranhãozinho, que usa suas empresas para lavagem de dinheiro.

O valor desviado, segundo a PF, é de R$ 1.667.750,00, que corresponde a 25% das emendas enviadas por Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa a municípios maranhenses. No esquema, segundo a PF, um agiota empresta dinheiro para parlamentares investigados, os quais se comprometem a devolvê-lo por meio do desvio de parte dos valores oriundos das emendas parlamentares.

A PF destaca que é estranho um deputado do Sergipe, caso de Bosco Costa, enviar “emendas de alto valor” (R$ 4 milhões) para o Maranhão, o que indicaria, segundo a Polícia, que “este Estado pode ter se tornado um ‘paraíso’ para o desvio de emendas parlamentares”.

Maranhãozinho, segundo a PF, “é quem está à frente da estrutura criminosa, capitaneando não somente a destinação dos recursos públicos federais oriundos de emendas (próprias e de outros parlamentares comparsas) para os municípios, mas também orientando a cobrança (utilizando, inclusive, de estrutura operacional armada), ao exigir dos gestores municipais a devolução de parte dessas verbas”. Ele usaria uma “estrutura operacional, que lhe é subordinada, para exigir a devolução de parte dos recursos federais oriundos dessas emendas em benefício da organização criminosa).

O envolvimento dos parlamentares começou a ser apurado após seus nomes aparecerem em anotações apreendidas na primeira fase da Operação Ágio Final, que investigava ameaças ao ex-prefeito de São José de Ribamar-MA, Eudes Sampaio. Ele disse ter sido alvo de extorsão em fevereiro de 2020, quando era prefeito, pelo agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan, e pelo ex-prefeito de Água Doce-MA Rocha Filho. Eles foram à sede da prefeitura de São José de Ribamar e exigiram pagamento de propina de R$ 1.667.750,00, alegando serem os responsáveis pelo envio de recursos federais para ações na saúde no município. O prefeito recusou e procurou a polícia para dizer que ele e sua família sofreram graves ameaças.

A PF pediu e obteve na justiça a prisão de Pacovan e de outros dois investigados. Na operação, foram colhidos materiais que apontaram o caminho para os parlamentares como beneficiados do esquema. “Foram encontrados indícios que apontam para a presença de congressistas no direcionamento e desvio de porcentagens de emendas parlamentares, que eram objeto de extorsão por parte do braço operacional da estrutura criminosa.”

A PF diz que parlamentares negociam diretamente com lobistas captação e desvio das emendas, e negociam com prefeitos a devolução de parte das verbas encaminhadas.

Com a palavra, Josimar Maranhãozinho

Em nota publicada nas redes sociais, o deputado afirmou que colabora com as investigações e fala em ‘espetacularização’ da ofensiva.

Com a palavra, os parlamentares

A reportagem buscou contato com os deputados até a publicação deste texto, mas sem sucesso. O espaço está aberto para manifestações.

Estadão Conteúdo

Estadão Conteúdo

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