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Pedido de impeachment de Temer gera bate-boca entre Maia e OAB

por Redação — publicado 17/06/2017 16h33, última modificação 17/06/2017 16h44
Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia diz que a Câmara "não pode continuar agindo com cinismo"
Marcelo Camargo/Agência Brasil
a Rodrigo-Maia

Para a OAB, Rodrigo Maia deve pautar "com urgência" a análise dos pedidos de afastamento de Temer

Uma nota divulgada neste sábado 17 pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) gerou um bate-boca virtual entre o presidente nacional da entidade, Claudio Lamachia, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O texto da OAB foi divulgado após a publicação, pela revista Época, de uma entrevista na qual Joesley Batista afirma que Michel Temer é o “chefe da maior e mais perigosa organização criminosa” do País. Na nota, Lamachia afirma que “a Câmara dos Deputados não pode continuar agindo com cinismo, como se nada estivesse acontecendo no país”, e cobra de Maia uma atitude em relação aos pedidos de impeachment de Temer.

“O presidente da Câmara deve satisfação à população e, por isso, precisa pautar com urgência a análise dos pedidos de impeachment”, diz a nota. A OAB protocolou no dia 25 de maio um pedido de afastamento de Temer por crime de responsabilidade. 

Após a repercussão da nota, Maia criticou Lamachia. "Não me cabe comentar as resoluções do Conselho Federal da OAB, não sou comentarista de agenda de advogados. Como também não creio que caiba ao presidente da OAB comentar ritos e procedimentos do processo legislativo", disse Maia ao jornal O Estado de S.Paulo

A réplica provocou tréplica. Em nova nota, mais dura, Lamachia disse que Maia “parece não conhecer trechos da Constituição que são fundamentais para que ele exerça o cargo que está ocupando”.

“Uma das incumbências dele é apreciar o pedido de impeachment, algo que ele tem se recusado a fazer. Por outro lado, não é função do presidente da Câmara atuar como muralha de proteção a aliados políticos investigados”, escreveu Lamachia. “É hora de a Câmara parar de agir com cinismo, como se nada estivesse ocorrendo no país, e começar a apreciar os pedidos de impeachment."